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"Macrobrachium magalhaesi"  
Artigo publicado em 01/07/2021, última atualização em 05/10/2025  


Nome em português: Camarão-de-rio.

Nome em inglês: -
Nome científicoMacrobrachium magalhaesi Carvalho, Silva, Mota & De Grave, 2025

Origem: Norte da América do Sul, Bacia Amazônica
Tamanho: fêmeas com até 2,6 cm
Temperatura da água: 26° C
pH: 6.8-7.2
Dureza: mole a intermediária

Reprodução: abreviada, todo o ciclo em água doce
Comportamento: pacífico
Dificuldade: fácil

 

 

Apresentação

Macrobrachium magalhaesi é uma diminuta espécie de camarão amazônico recentemente descrita (2025), a partir de exemplares coletados na Reserva Florestal Ducke, Manaus, Estado do Amazonas. 

Etimologia: Macrobrachium vem do grego makros (longo, grande) e brakhion (braço); e magalhaesi é uma homenagem ao carcinólogo Dr. Célio Magalhães que trabalhou muitos anos no INPA, que administra a Reserva Ducke, localização tipo da espécie.





Distribuição geográfica de Macrobrachium magalhaensiImagem original Google Maps; dados de Carvalho FL, et al. 2025.



Origem


            Por se tratar de uma espécie recentemente descrita, não há muitas informações sobre a sua real distribuição geográfica. Por ora, só é conhecida na Reserva Florestal Ducke, em Manaus, Amazonas, próximo à confluência dos rios Negro e Solimões, em uma área de somente 8x8km. O solo local é argiloso.  

           Provavelmente a área real de ocorrência da espécie é bem maior. Um pequeno camarão que parece ser desta espécie foi registrado por um colaborador do site, na região norte de Rondônia (fotos adiante).

 


 



Aparência

            São pequenos camarões de água doce, porém, diferente de outras espécies, possuem uma pigmentação bastante marcante e característica. Fêmeas maiores, medem até 2,6 cm.

         Como todo Macrobrachium, possuem o espinho antenal e hepático, mas não o espinho branquiostegal. 

Rostro: reto, discretamente convexo na margem ventral, cerca de 0,6x o comprimento da carapaça, ultrapassando o pedúnculo antenular mas não atingindo a margem distal do escafocerito. Margem superior com 6~9 dentes, com 1-2 dentes antes da órbita, e eventualmente um dente subapical, todos estes menores do que os demais dentes. Margem inferior com 2 dentes.

Quelípodos: simétricos e sem heteroquelia. Dimorfismo sexual, dedos 0,6x o comprimento da palma nas fêmeas, e 1,6x nos machos. Dedos com muitas setas, principalmente nas fêmeas. Não há dentes ou hiato nas margens cortantes. Carpo cerca de 0,4-0,5x o comprimento da quela, e 0,7-0,9x o do mero.

Pleura do quinto somito abdominal posteroventralmente formando projeção triangular.



- Juvenis com coloração mais pálida, transparentes. Destacam-se os urópodos e telso de cor escura, enegrecida. Faixa escura longitudinal na região ventral abdominal, de cor vinhosa enegrecida. A metade basal dos dedos dos quelípodos são escuros, assim como a extremidade do pedúnculo antenular.
 
- Adultos pequenos (especialmente machos) de cor translúcida marrom-café claro com manchas opacas claras café-argila, de aspecto "sujo", perfeitamente camuflados nos córregos e remansos onde habitam, com fundo arenoso claro. Estas manchas predominam na região dorsal mediana, formando uma faixa irregular estendendo-se desde o rostro até o último segmento abdominal. Esta pigmentação clara é presente também nos olhos, nos pedúnculos antenulares e na antênula curta, e esparsos nas pernas e quelípodos. As antenas e antênulas longas são transparentes, mas marcadas por pequenos pontinhos intermitentes de cor clara. Assim como nos juvenis, permanece a coloração escura no telso e urópodos, mas são lateralmente margeados por pigmentação clara. A faixa escura ventral abdominal também permanece.     

- Adultos pequenos (especialmente fêmeas reprodutoras) de cor amarelo translúcido com leve tom alaranjado claro nas articulações dos segundos pereiópodos. Pode ter a faixa longitudinal dorsal clara, como o morfotipo anterior. Alguns têm as partes moles em tons mais avermelhados.


















Macrobrachium magalhaensi, coletados em Manaus, AM. Note o típico urópodo e telso escuro, e a faixa escura ventral abdominal. As últimas imagens mostram indivíduos maiores, de coloração já em transição para outras formas. Imagens e vídeos de James Bessa.




Parâmetros de Água

 

Amazônicos, são encontrados em ambientes intermediários de habitats entre águas negras e águas claras (confluência dos rios Negro e Solimões), com águas com pH próximo de neutro, temperatura do ar de cerca de 26ºC.

 

 

 



Macrobrachium magalhaensi, fêmea ovada coletada em Manaus, AM, imagens de James Bessa.



Dimorfismo Sexual

 

Fêmeas são um pouco maiores que os machos, possuem pleuras abdominais arqueadas e alongadas, formando uma câmara de incubação. Também podem ser diferenciados pela análise dos órgãos sexuais, mas isto é bem difícil em animais vivos.











Macrobrachium magalhaensi, machos fotografados e filmados em um aquário comunitário. Coletado em Manaus, AM, imagens e vídeo de James Bessa.




Reprodução

Macrobrachium magalhaesi é uma espécie com reprodução especializada, gerando ovos grandes e pouco numerosos. Assim como os demais palaemonídeos, a fêmea passa por uma muda pré-acasalamento, e logo após o macho deposita seu espermatóforo. Após algumas horas a fêmea libera os ovos, que são fertilizados e se alojam nos pleópodes. As fêmeas carregam 8 a 20 ovos em cada prole.











Macrobrachium magalhaensi, fêmea ovada medindo cerca de 3 cm, coletada em Manaus, AM, imagens e vídeo de James Bessa.

 

 

Comportamento

 

Há poucos relatos de criação em aquários, é uma espécie ativa, se movimentando por todo o aquário, desde que não haja potenciais predadores. Bastante dóceis, podem ser mantidos com outros peixes e invertebrados, desde que estes sejam pacíficos. A maior parte do dia permanecem entre a vegetação e folhiço submerso no fundo, alimentando-se de algas e biofilme. 

 




Provável
Macrobrachium magalhaensi, coletada em riachos da região norte de Rondônia. Foto cortesia de Claudio Jardin.




Alimentação

 

Na natureza são onívoros, análises do seu conteúdo estomacal demonstraram algas diatomáceas, artrópodes (como larvas de insetos) e restos de plantas. Em aquários são bastante úteis como faxineiros, coletando restos de alimentos em locais inacessíveis a outros animais.

 

 

 

 

Bibliografia: 

  • Melo GAS. Manual de Identificação dos Crustacea Decapoda de água doce do Brasil. São Paulo: Editora Loyola, 2003.
  • Carvalho FL, Silva EP, Mota TA, De Grave S. 2025. The description and ecology of a novel diminutive species of Macrobrachium Spence Bate, 1868 (Decapoda: Caridea: Palaemonidae) from Amazonia, the first member of the genus lacking a mandibular palp. Journal of Crustacean Biology. 45(3): ruaf049.



Agradecimentos especiais aos aquaristas James Bessa e Claudio Jardin que nos cederam gentilmente o uso das suas fotos e vídeos para o artigo.
 
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