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"Macrobrachium ferreirai"  
Artigo publicado em 25/01/2017  



Camarão de Água Doce - Macrobrachium ferreirai

 

 

 

Nome em português: Camarão de água doce, Camarão de rio

Nome em inglês: -
Nome científico: Macrobrachium ferreirai Kensley & Walker, 1982

Origem: Bacia Amazônica
Tamanho: até 6,3 cm
Temperatura da água: 25-32° C
pH: ácido

Dureza: baixa

Reprodução: especializada, todo o ciclo em água doce
Comportamento: agressivo
Dificuldade: fácil

 

 

Apresentação

            O Macrobrachium ferreirai é uma interessante espécie de camarão dulcícola, de garras bem longas, e que tem todo seu ciclo de vida em água doce. Ocorre em rios e igarapés da bacia Amazônica, essencialmente no território brasileiro. Filogeneticamente, é uma espécie próxima ao M. inpa, com quem divide este habitat.

            Etimologia: Macrobrachium vem do grego makros (longo, grande) e brakhion (braço); ferreirai é uma homenagem a Efrem J. Gondim Ferreira do INPA, um agradecimento dos autores da descrição original pela disponibilização do material.

          





Distribuição geográfica de Macrobrachium ferreirai. Imagem original Google Maps; dados de Melo GAS 2003 e demais referências.



Origem

            Este camarão até a pouco era somente descrito no Brasil, em igarapés da bacia Amazônica, nos estados do Amazonas, Roraima, Rondônia e Mato Grosso. Recentemente foi encontrado em rios da Colômbia, próximo à divisa brasileira, nos departamentos de Amazonas e Vaupés.

Vive em rios de águas negras e ácidas, e córregos no meio da floresta, ricas em material orgânico húmico, de pH bem baixo.







 

 









Macrobrachium ferreirai, fotografado no Rio Manacapuru, AM. Foto de Dennis G. Wahlman. A primeira imagem do artigo também é de sua autoria.




Aparência

 

São camarões de pequeno a médio porte, machos atingindo 6,3 cm. Possuem um aspecto bem semelhante a outros “pitus”, com corpo robusto e alongado, grandes garras. Carapaça quase lisa, raras espinulações anterolaterais. Forte dente antenal.

Camarões menores são translúcidos, mas com o crescimento desenvolve uma cor marrom escura. Um achado bem característico desta espécie é a quela bastante alongada com a palma bem mais longa do que os dedos. Outras espécies também têm estas características (como o M. brasiliense), mas é mais exacerbada nesta espécie.

Lembra bastante o Macrobrachium brasiliense, uma espécie com ampla distribuição e que pode ser simpátrica. Pode ser diferenciado pela carapaça mais lisa, e proporção dos segmentos dos quelípodos.

Rostro: Reto, com forte carena lateral, alcança um pouco além do pedúnculo antenular, podendo alcançar o final do escafocerito. Margem superior com 8~14 dentes distribuídos uniformemente, 3 ou 4 atrás da órbita. Margem inferior com 1~3 dentes.

Quelípodos dos machos: Bastante longos, consideravelmente maiores do que o comprimento total do corpo, discreta assimetria de tamanho, com finos espinhos. Dáctilo bem mais curto do que a palma, numa proporção de 2,5 (palma/dáctilo). Carpo alargado distalmente, medindo 2/3 da palma. Mero + ísquio mais longo do que o carpo.

 




Macrobrachium ferreirai, fotografado no Rio Manacapuru, AM. Foto de Floyd E. Hayes.



Parâmetros de Água

 

Devido à sua distribuição, é uma espécie melhor adaptada a ambientes tropicais de águas bastante ácidas e de dureza bem baixa.

 



Dimorfismo Sexual


Bem demarcado, machos são bem maiores e mais robustos, com garras mais desenvolvidas. Também podem ser diferenciados pela análise dos órgãos sexuais, mas isto é bem difícil em animais vivos.

 







Macrobrachium ferreirai, fotografado no Rio Manacapuru, AM. Foto de Floyd E. Hayes.



Reprodução

            Por ter reprodução especializada, o Macrobrachium ferreirai pode ser facilmente reproduzido em cativeiro. Geram poucos ovos (25 a 37) de grandes dimensões, elípticos, medindo cerca de 3,7 x 2,4 mm de diâmetro. Tem todo seu ciclo de vida em água doce, não necessitando de água salobra.

            O tempo de desenvolvimento dos ovos é longo. Os filhotes já nascem bem desenvolvidos, camarões miniatura medindo cerca de 6,24 mm, e passam por somente três estágios larvais, com duração de até 7 dias. Desde o nascimento têm comportamento bentônico, passando a maior parte do tempo no substrato (ao invés de formas larvares natantes das espécies de reprodução primitiva). Desde pequenos já aceitam alimentação inerte, o que leva a uma alta taxa de sobrevivência da prole.

 

 

Comportamento

 

Agressivo, é um voraz predador, não pode ser mantido com peixes ou outros animais. Tornam-se vulneráveis após a ecdise, enquanto seu exoesqueleto ainda não está totalmente solidificado.

Têm hábito escavador, não se recomenda sua manutenção em tanques com plantas.

Assim como os demais Macrobrachium agressivos, os camarões juvenis são menos agressivos, porém, com seu crescimento, deve-se acentuar sua agressividade e seu comportamento canibal. Populações adultas mantidas juntas por muito tempo se devoram progressivamente, ou indivíduos dominantes se alimentando dos menores, ou animais (mesmo grandes) sendo devorados após a muda.


 

 

Alimentação

 

Não há dados específicos, provavelmente seus hábitos são semelhantes a outros Macrobrachium de porte semelhante, com dieta onívora e pouco exigentes. Caçam ativamente outros animais, inclusive outros camarões, e destroem também plantas ornamentais.

 

 

 

Bibliografia:

  • Melo GAS. Manual de Identificação dos Crustacea Decapoda de água doce do Brasil. São Paulo: Editora Loyola, 2003.
  • Kensley B, Walker I. Palaemonid shrimps from the Amazon basin, Brazil (Crustacea: Decapoda: Natantia). Smithsonian Contributions to Zoology, 1982, 362, 1-36.
  • Pileggi LG (2009) Sistemática filogenética dos camarões do gênera Macrobrachium Bate, 1868 do Brasil: análises filogenéticas e moleculares. Tese, Doutor em Ciências, área: Biologia Comparada. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, Brasil.
  • Valencia DM, Campos MR. Freshwater prawns of the genus Macrobrachium Bate, 1868 (Crustacea: Decapoda: Palaemonidae) of Colômbia. Zootaxa 1456: 1–44 (2007).
  • Magalhães C, Walker I. Larval Development and Ecological Distribution of Central Amazonian Palaemonid Shrimps (Decapoda, Caridea). Crustaceana, Vol. 55, No. 3 (Nov., 1988), pp. 279-292.
  • Pileggi LG, Magalhaes C, Bond-Buckup G, Mantelatto FL. New records and extension of the known distribution of some freshwater shrimps in Brazil. Revista Mexicana de Biodiversidad; v. 84, n. 2, p. 563-574, JUN 2013.
  • Pileggi LG, Mantelatto FL. Molecular phylogeny of the freshwater prawn genus Macrobrachium (Decapoda, Palaemonidae), with emphasis on the relationships among selected American species. Invertebrate Systematics 24(2) 194–208. 2010.
  • Magalhães C, Pereira G. 2007. Assessment of the decapod crustacean diversity in the Guayana Shield region aiming at conservation decisions. Biota Neotropica 7: 1-14.
  • Valencia DM, Campos MR. 2007. Freshwater prawns of the genus Macrobrachium Bate, 1868 (Crustacea: Decapoda: Palaemonidae) of Colombia. Zootaxa 1456: 1-44.
  • Gualberto TL, Almeida LO, Menin M. 2012. Population structure, fecundity and ecological aspects of freshwater shrimp species (Decapoda, Palaemonidae) of an urban forest fragment in Central Amazonia, Brazil. Crustaceana, 85(10): 1205-1219.




Agradecimentos especiais ao biólogo norte-americano Prof. Floyd E. Hayes, e seu orientando Dennis G. Wahlman pela permissão no uso das suas fotos para o artigo.
 
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