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"Pseudopalaemon chryseus"  
Artigo publicado em 07/11/2020, última edição em 06/12/2020  



Nome em português: Camarão-fantasma.

Nome em inglês: -
Nome científicoPseudopalaemon chryseus Kensley & Walker, 1982

Origem: Norte da América do Sul, Bacia Amazônica
Tamanho: fêmeas com até 3,5 cm
Temperatura da água: 28-33° C
pH: 5.5-6.7
Dureza: mole

Reprodução: abreviada, todo o ciclo em água doce
Comportamento: pacífico
Dificuldade: fácil

 

 

Apresentação

        O gênero Pseudopalaemon é endêmico da América do Sul, está representado no Brasil por cinco pequenas espécies com aspecto de “camarão-fantasma”, quatro delas encontradas na bacia amazônica, e a quinta no sul do Brasil. Dentre as espécies amazônicas, uma espécie comum e com distribuição ampla é o Pseudopalaemon chryseus. Raramente é visto no hobby, embora tenha grande potencial como espécie ornamental.

            Etimologia: Pseudo vem do grego pseudes, “falso”; Palaemon é outro gênero de pequenos camarões transparentes, de águas doces, salobras e salgadas. E chryseus significa dourado em grego, em referência à coloração do animal.







Distribuição geográfica de Pseudopalaemon chryseus. Imagem original Google Maps; dados de Melo GAS 2003 e demais referências.



Origem


            Esta espécie de camarão tem distribuição relativamente ampla, sendo encontrada na Bacia Amazônica, no Brasil (estados do Amazonas, Pará, Amapá e Roraima) e Colômbia. São mais comuns no leque noroeste da bacia, principalmente na bacia do Rio Negro, mas são encontrados também na região mais oriental, distribuindo-se até a baía de Caxiuaná e nordeste do Pará.

    São tipicamente encontrados em igapós rasos, em meio ao folhiço submerso de leitos de rios e em pequenos córregos contíguos aos igapós. Também encontrados em rios, igarapés, veredas de buritis e lagos. Passam boa parte do tempo escondidos em meio à serrapilheira ou macrófitas. raramente são coletados em locais de águas claras.

É uma espécie comum e bem distribuída, categorizada como Menos Preocupante (LC) pela IUCN e Sociedade Brasileira de Carcinologia.

 


 



Aparência

            Exemplares vivos são semi-transparentes, com pálida cor dourada e com finas linhas de cromatóforos vermelhos. Massa gástrica manchada de cromatóforos negros, visíveis lateral e dorsalmente. Machos medem até 2,4 cm, fêmeas até 3,5 cm.

         Como todo Pseudopalaemon, o padrão de espinhos da carapaça é idêntico ao dos Macrobrachium, possuindo o espinho antenal e hepático, mas não o espinho branquiostegal. A diferenciação com o Macrobrachium é feita pelo aspecto das mandíbulas, o Pseudopalaemon não possui palpo, enquanto que o Macrobrachium possui um palpo tri-articulado.

Rostro: igual ou pouco mais logo do que a carapaça, ultrapassando ligeiramente o escafocerito; reto dorsalmente e um pouco curvado para cima distalmente e ligeiramente convexo na face inferior. Margem superior com 8~9 dentes regularmente distribuídos, com dois dentes antes da curva orbital. Margem inferior com 3 a 5 dentes.

Quelípodos: delgados e lisos, dedos da quela fechados em quase todo o seu comprimento, cruzados distalmente. Quela do tamanho do carpo, dedos tão longos ou menores que a palma, cada um com 2 diminutos dentes proximais na face cortante. Mero 2/3 do comprimento do carpo.

Pereiópodos 3 a 5 aumentando gradativamente de comprimento.






Pseudopalaemon chryseus, fotografado no Rio Kiwiuni, em Manaus, AM. As imagens em close mostram detalhes da sua anatomia. Fotos de Juan Miguel Artigas Azas.





Parâmetros de Água

 

Amazônicos, são encontrados em ambientes de águas negras, com águas bastante ácidas e moles. Nos locais de coleta os parâmetros foram pH médio de 5.5, baixa condutividade elétrica. São encontrados também em locais com pH um pouco mais elevado, de até 6.7, e raramente em águas claras. A temperatura variou de 28 a 33ºC.

 

 

 

Dimorfismo Sexual

 

Fêmeas são um pouco maiores que os machos, medindo até 3,5 cm. Fêmeas possuem pleuras abdominais arqueadas e alongadas, formando uma câmara de incubação. Também podem ser diferenciados pela análise dos órgãos sexuais, mas isto é bem difícil em animais vivos.

Há também uma sutil diferença no rostro, fêmeas com o rostro anterolateralmente mais curvado do que no macho. Tendem a ter um corpo mais robusto do que os machos. Dimorfismo também nas quelas, mais robustas nas fêmeas, dedos mais fortes e com uma fenda. Dedos mais curtos do que a palma.

 





Pseudopalaemon chryseusfêmea ovada coletada em Manaus, AM, foto de James Bessa.





Reprodução

P. chryseus é uma espécie com reprodução especializada, gerando ovos grandes e pouco numerosos, elípticos, medindo cerca de 1,3 x 1,9 mm. Assim como os demais palaemonídeos, a fêmea passa por uma muda pré-acasalamento, e logo após o macho deposita seu espermatóforo. Após algumas horas a fêmea libera os ovos, que são fertilizados e se alojam nos pleópodes. As fêmeas carregam entre 14 a 43 ovos em cada prole, o período de eclosão é de até dois dias.

Período larval com três fases bentônicas, já nascendo com pereiópodes funcionais, medindo 4,7 mm. O tempo de desenvolvimento é de cerca de 7 dias, em que não se alimentam.


 

 

Comportamento

 

Há poucos relatos de criação em aquários, com breves menções principalmente em artigos científicos. É uma espécie ativa, se movimentando por todo o aquário, desde que não haja potenciais predadores. Bastante dóceis, podem ser mantidos com outros peixes e invertebrados, desde que estes sejam pacíficos. A maior parte do dia permanecem entre a vegetação e folhiço submerso no fundo, alimentando-se de algas e biofilme. 

 



Alimentação

 

Na natureza, são onívoros com predileção por fungos, larvas de insetos e esponjas, baseado no seu conteúdo estomacal. Em aquários preferem se alimentar de algas, mas comem também restos de ração dos peixes. São bastante úteis como faxineiros, coletando restos de alimentos em locais inacessíveis a outros animais.

 

 

 

 

Bibliografia: 

  • Melo GAS. Manual de Identificação dos Crustacea Decapoda de água doce do Brasil. São Paulo: Editora Loyola, 2003.
  • Kensley B, Walker I. Palaemonid shrimps from the Amazon basin, Brazil (Crustacea: Decapoda: Natantia)Smithsonian Contributions to Zoology, 1982, 362, 1-36.
  • Walker I, Ferreira MJN. (1985). On the Population Dynamics and Ecology of the Shrimp Species (Crustacea, Decapoda, Natantia) in the Central Amazonian River Tarumã-Mirim. Oecologia, 66(2), 264-270.
  • Oliveira LJF, Sant’Anna BS, Hattori GY. (2017) Reproductive potential of four freshwater prawn species in the Amazon region, Invertebrate Reproduction & Development61:4, 290-296.
  • Pimentel FR. Taxonomia dos Camarões de Água Doce (Crustacea: Decapoda: Palaemonidae, Euryrhynchidae, Sergestidae) da Amazônia Oriental: Estados do Amapá e Pará. Dissertação (Mestrado). MCT/INPA, Manaus, 2003. 
  • Santos MAL dos, Castro PM de, Magalhães C. 2018. Freshwater shrimps (Crustacea, Decapoda, Caridea, Dendrobranchiata) from Roraima, Brazil: species composition, distribution, and new records. Check List 14(1): 21-35.
  • Santos MAL dos. Composição e Distribuição da Fauna de Camarões de Água Doce (Crustacea: Decapoda) no Estado de Roraima,Brasil. 2016. 95 f. Dissertação (Biologia de Água Doce e Pesca Interior) - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, 2016.
  • Valencia DM, Campos MR. Freshwater shrimps of the Colombian Tributaries of the Amazon and Orinoco Rivers (Palaemonidae, Euryrhynchidae, Sergestidae). Caldasia, 2010, 32(1): 221-234.
  • Magalhães C, Walker I. Larval Development and Ecological Distribution of Central Amazonian Palaemonid Shrimps (Decapoda, Caridea). Crustaceana, Vol. 55, No. 3 (Nov., 1988), pp. 279-292.
  • Pimentel FR, Magalhães C. Palaemonidae, Euryrhynchidae, and Sergestidae (Crustacea: Decapoda): Records of native species from the states of Amapá and Pará, Brazil, with maps of geographic distribution. Check List 10(6): 1300–1315, 2014.
  • Livro Vermelho dos Crustáceos do BrasilAvaliação 2010–2014. Organização: Marcelo Pinheiro & Harry Boos. - Porto Alegre, RS: Sociedade Brasileira de Carcinologia - SBC, 2016.
  • Magalhães C. The Larval Development of Palaemonid Shrimps from the Amazon region reared In the laboratory. V. Abbreviated development of Pseudopalaemon chryseus Kensley & Walker, 1982 (Crustacea: Decapoda: Palaeomonidae). Acta Amaz. 1986/1987; 16/17: 95-108.
  • De Grave, S. 2013. Pseudopalaemon chryseusThe IUCN Red List of Threatened Species 2013: e.T198026A2509080. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2013-1.RLTS.T198026A2509080.enDownloaded on 07 November 2020.




Agradecimentos especiais ao colega Juan Miguel Artigas Azas (México), colaborador do iNaturalist, e ao aquarista James Bessa que nos cederam gentilmente o uso das suas fotos para o artigo. 
 
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