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"Trich. petropolitanus"  
Artigo publicado em 10/01/2012, última edição em 08/11/2016  



Nome em português: Caranguejo de água doce, Caranguejo de rio, Goiaúna, Guaiaúna.
Nome em inglês: -
Nome científico: Trichodactylus petropolitanus (Göldi, 1886)

Origem: Sudeste da América do Sul
Tamanho: carapaça com largura de 5 cm
Temperatura: 20-28° C
pH: indiferente

Dureza: indiferente
Reprodução
: especializada, todo ciclo de vida em água doce
Comportamento: pacífico
Dificuldade: fácil

 

 

Apresentação

 

Os Trichodactylus são os caranguejos dulcícolas mais comuns fora da bacia amazônica, são pequenos caranguejos totalmente aquáticos, de hábitos noturnos. Embora comuns, raramente são vistos no comércio aquarístico.

Devido à sua abundância, estes animais são importante componente da cadeia trófica de ambientes dulcícolas. Comestíveis, são também relevante fonte de alimentação para populações ribeirinhas.
            Etimologia: Trichodactylus vem do grego thríks (cabelo) e daktulos (dedo); petropolitanus significa habitante do município de Petrópolis (RJ).

 

Origem

            Até a pouco considerada uma espécie exclusivamente brasileira, com ocorrência nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, sendo que sua distribuição coincide amplamente com os domínios da quase extinta Mata Atlântica. Em 2003 foi coletada também no norte da Argentina.

Vivem em riachos límpidos, geralmente montanhosos, mas podem ser coletados também em lagoas e represas. Vive entre rochas ou vegetação aquática. Preferem substratos rochosos, que facilitam seu mimetismo.

        Um trabalho genético recente confirmou que os T. petropolitanus são monofiléticos. Curiosamente, este trabalho situou geneticamente a espécie entre os diversos clados que compõem o Complexo T. fluviatilis.

 


Distribuição geográfica de Trichodactylus petropolitanus. Imagem original Google Maps; dados de Magalhães C. In: Melo GAS. 2003 e César II et al. 2004.


Aparência

 

Cefalotórax de altura média, arredondado. Olhos pequenos, antenas curtas. Grandes quelípodos, assimétricos nos machos. Pernas dispostas lateralmente. Geralmente de cor marrom-escura avermelhada.

Existem duas famílias de caranguejos de água doce no Brasil: Trichodactylidae e Pseudothelphusidae. Os primeiros podem identificados por dois detalhes: dáctilos com pêlos (ao invés de espinhos, daí seu nome), e segundo maxilópode. Dentro da família, os Trichodactylus podem ser identificados baseados na forma do abdômen (segmentação de todos os somitos, sem fusão), e a escassez de dentes na margem da carapaça (até 5). O T. petropolitanus pode ser identificado por ter três dentes na borda ântero-lateral da carapaça, eqüidistantes, e carapaça irregular.

Assim como o T. fluviatilis, esta espécie têm sub-espécies com alguma variação no padrão de dentição da carapaça.




Aspecto da borda ântero-lateral da carapaça: Trichodactylus dentatus com três dentes, os dois primeiros próximos entre si e um pouco afastados do terceiro, este sempre menor e às vezes vestigial; Trichodactylus petropolitanus com três dentes equidistantes; Trichodactylus fluviatilis com borda lisa, às vezes com um a três entalhes, ou no máximo um dente. Fotos de Carlos Magno e Walther Ishikawa.



 



Trichodactylus petropolitanus, macho adulto. O padrão de dentes da carapaça é bem visível nesta primeira imagem. Fotos de Walther Ishikawa.



Imagens ventrais, mostrando os segmentos abdominais sem fusão, e as grandes garras assimétricas do macho. Fotos de Walther Ishikawa.



Close na garra maior do macho, foto de Walther Ishikawa.



Fêmea recém-coletada, ainda com a coloração escura. Foto de Walther Ishikawa.

 


Imagens ventrais de um casal de Trichodactylus petropolitanus recém-coletados, mostrando a diferença na morfologia do abdômen. A fêmea na primeira imagem e o macho na segunda. Fotos de Walther Ishikawa.



Parâmetros de Água

 

É uma espécie robusta, bastante tolerante quanto às condições da água, mas se desenvolve melhor entre 20 e 28° C, pH e dureza indiferentes.

 

Dimorfismo Sexual

 

Como todo caranguejo, pode ser feita facilmente através da análise do abdômen, o macho possui abdômen estreito, e a fêmea, abdômen largo, onde fixa seus ovos. Machos adultos também possuem garras maiores e mais robustas, uma delas mais desenvolvida (heteroquelia). É a espécie de Trichodactylus com a heteroquelia mais acentuada.




Casal de Trichodactylus petropolitanus no momento da cópula. Imagens gentilmente cedidas por Alysson Luciano Vieira.



Reprodução

Todo seu ciclo de vida se dá em água doce. A reprodução ocorre nos meses mais quentes e chuvosos do ano.

Produzem poucos ovos de grandes dimensões, apresentam desenvolvimento pós-embrionário direto, onde as fases larvais completam-se ainda dentro do ovo. Na eclosão são liberados indivíduos já com características semelhantes ao adulto. Por vários dias, os jovens são protegidos e carregados pelas fêmeas sob o abdome, caracterizando cuidado parental.









Filhotes e adultos de Trichodactylus petropolitanus, fotografados em riachos montanhosos de Paraty, RJ (primeira foto) e Ubatuba, SP (demais). Note a padronagem mimética dos filhotes, e a postura de tanatose. Fotos de Walther Ishikawa.



Comportamento

 

São animais totalmente aquáticos, não necessitando vir à superfície para respirar. Porém, suportam algum tempo fora d´água, principalmente se houver umidade. Fugas são bastante frequentes, o aquário deverá ser sempre mantido bem tampado.

Não são agressivos, porém possuem garras potentes, e acidentes podem ocorrer. Existem diversos relatos de sucesso na manutenção destes animais em aquários comunitários, sem agressividade com peixes e camarões. Invertebrados bentônicos fazem parte da sua dieta, assim, deve-se atentar somente à presença de caramujos ornamentais, que serão rapidamente predados. Pelo mesmo motivo, caranguejos muito pequenos (da mesma, ou outra espécie) correm riscos de predação. Plantas tenras podem ser devoradas também.

Não são animais muito ativos, têm movimentação lenta, sempre que possível preferindo ficar imóveis. Por serem escavadores, não são indicados para tanques com substrato fértil, ou com layout ornamental. Adultos têm hábitos noturnos, e costumam ficar entocados até anoitecer, jovens são mais ativos durante o dia.

Como os demais crustáceos, tornam-se vulneráveis após a ecdise, e podem ser predados por outros animais. Por este motivo, nesta época permanecem entocados, até a solidificação completa da carapaça.


 


Close de um Trichodactylus petropolitanus, macho adulto. Foto de Walther Ishikawa.


Alimentação

 

Não são nada exigentes quanto à alimentação, comendo desde algas, animais mortos a ração dos peixes. Como mencionado, caçam ativamente caramujos e outros pequenos invertebrados, e podem se alimentar também de plantas com folhas tenras.

 

 


Macho em um aquário comunitário. Foto de Walther Ishikawa.

 


Macho de Trichodactylus petropolitanus em um aquário comunitário. Foto de Walther Ishikawa.

 


Casal de Trichodactylus petropolitanus em um aquário comunitário. Fêmea abaixo. Foto de Walther Ishikawa.

 

 

 

Bibliografia:

  • Magalhães C. Famílias Pseudothelphusidae e Trichodactylidae. In: Melo GAS. Manual de Identificação dos Crustacea Decapoda de água doce do Brasil. São Paulo: Editora Loyola, 2003.
  • Venâncio FA. 2005. Biologia populacional do caranguejo de água doce Trichodactylus petropolitanus no corrégo da Mina, Caçapava-SP: monitoramento ambiental a partir de estudos de populações animais. Dissertação de mestrado. Taubaté, São Paulo. 76p.
  • Mossolin EC, Mantelatto FL. Taxonomic and distributional results of a freshwater crab fauna survey (Family Trichodactylidae) on São Sebastião Island (Ilhabela), South Atlantic, Brazil. Acta Limnol. Bras., 2008, vol. 20, no. 2, p. 125-129.
  • Chagas GC. Avaliação do potencial bioindicador de Trichodactylus fluviatilis (Latreille, 1828) (Crustacea: Decapoda: Trichodactylidae) na bacia do rio corumbataí (SP). 2008. 61f. Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas, Área de Concentração em Zoologia), Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro. 2008.
  • Zimmermann BL, Aued AW, Machado S, Manfio D, Scarton LP, Santos S. Behavioral repertory of Trichodactylus panoplus (Crustacea: Trichodactylidae) under laboratory conditions. Zoologia (Curitiba, Impr.) 2009, vol.26, n.1, pp. 5-11.
  • Hurlbert SH, Rodriguez G, Santos MD, eds. 1981. Aquatic Biota of Tropical South America, Part I: Arthropoda. San Diego State University, San Diego, California, xii + 323 pp.
  • César II, Armendáriz LC, Becerras RV, Liberto R. Biodiversidad de Crustácea (Anostraca, Notostraca, Spinicaudata, Laevicaudata, Ostracoda, Amphipoda y Brachyura Trichodactylidae) de la Mesopotamia argentina. Temas de la Biodiversidad del Litoral fluvial argentino. INSUGEO, Miscelánea, 12: 247 - 252. Tucumán, 2004.
  • Carvalho EAS. Variabilidade genética e morfológica em populações de Trichodactylus fluviatilis Latreille, 1828 (Brachyura, Trichodactylidae). Dissertação (Mestrado em Ciências, Área de Biologia Comparada), Faculdade de Folosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP. 2013.

 

 


Agradecimentos aos colegas aquaristas Allyson Luciano Vieira e Carlos Magno pela cessão das fotos para o artigo, e Rodrigo Camilo pelas valiosas informações na coleta dos animais.




As fotografias de Walther Ishikawa estão licenciadas sob uma  Licença Creative Commons . As demais fotos têm seu "copyright" pertencendo aos respectivos autores.

 
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