INÍCIO ARTIGOS ESPÉCIES GALERIA SOBRE EQUIPE PARCEIROS CONTATO
 
 
    Espécies
 
Lapa de água doce  
Artigo publicado em 14/01/2012, última edição em 09/07/2018.  




Nome popular: Lapa de água doce / Lapa de rio / Lentilhas de água (Portugal) / Tatuzinhos d’água (Brasil, PA) / Conchinillas de agua (Paraguai)
Nome científico: Anisancylus sp., Ferrissia sp., dentre outros
Origem: Rios e lagos de todas as regiões tropicais e subtropicais
Comprimento: 3-15mm, dependendo da espécie


Esses pequenos moluscos de variadas espécies da família Ancylidae, vez ou outra, vêm parar clandestinamente em nossos aquários através de seus diminutos ovos, e nos fazem pensar "O que pode ser essa pequena mancha que achei que era sujeira?".

São gastrópodes comuns em qualquer tipo de corpo d'água, apesar do formato de suas conchas possam sugerir uma adaptação à correnteza. Fazem parte do grupo dos Pulmonados (como os Ramshorn e Physa), mas as trocas gasosas são feitas diretamente na água, não necessitando subir à superfície para respirar ar. A cavidade do manto modificada, geralmente usada nestes pulmonados para trocas gasosas, é muito reduzida nos Ancilídeos, e sem vascularização. Para substituí-la, desenvolveram uma pseudobrânquia na parede lateral do corpo. Atentando-se à sua anatomia, percebe-se que compartilham muitas características em comum, como os olhos nas bases dos tentáculos cefálicos.


Alimentam-se essencialmente de algas, porém não são bons algueiros em geral, já que se movimentam lentamente, são de pequeno - muito pequeno porte e não são tão prolíferos quanto a maioria dos outros moluscos do mesmo tamanho. São hermafroditas, e sua reprodução é ovípara. Não há informações sobre auto-fecundação. Seus ovos são semelhantes a outros pulmonados, depositados em uma cápsula aderida a superfícies e envoltas em uma massa gelatinosa, mas são quase imperceptíveis, bem pequenos e com menor número de ovos (1 a 5, em disposição radial).




GIF animado mostrando cápsula de ovos de Uncancylus concentricus com embriões em movimento. Fotos de Walther Ishikawa.



Cápsula de ovos de Ferrissia, contendo cada uma somente um único ovo. Foto de Walther Ishikawa.


Em aquários sua utilidade se limita ao interesse biológico daqueles que gostam de observar a vida no seu sistema que vai além de apenas organismos introduzidos propositadamente, assim como na natureza. Muitas espécies fazem parte do grupo de animais chamados bioindicadores, ou seja, são animais que demonstram se há algo errado em certo sistema aquífero, já que não resistem a mínimos níveis de poluição/contaminação e/ou mudanças bruscas nos parâmetros físico-químicos da água. Porém, algumas espécies são encontradas também em águas poluídas, como o Gundlachia ticaga.







Lapas Ferrissia sp. em aquário plantado. Note a concha alta, e ápice arredondado. Fotos de Gustavo Tokoro e Mírian Santos.





Hebetancylus moricandi, note a típica lista pigmentada no manto à direita. Foto gentilmente cedida por Mateus Camboim de Oliveira.



Nas minhas montagens eles estão sempre presentes (é inevitável livrar plantas de seus diminutos ovos), mas em quantidade praticamente desprezível. Outra utilidade que achei para esses pequenos é de algueiros em uma planta específica: por serem de locomoção lenta e fácil reprodução quando há suficiente alimento (parecem preferir algas marrons), coloco 2-3 na folha afetada pelas algas e a população cresce pela folha mesmo, livrando-a, de forma natural não agressiva, das algas. Acabaram com esse problema em plantas como a Bolbitis heudelotii, que ficam em aquários com pouca luz e acabam, portanto, desenvolvendo aquele filme marrom na superfície das folhas que são muito delicadas para serem limpas mecanicamente.

Já li relatos de pessoas reclamando porque, como muitos outros moluscos introduzidos acidentalmente no aquário, são "pragas" e não são comidos pela maioria dos predadores de moluscos, já que se aderem firmemente às superfícies de variados materiais. Contudo são, na minha humilde opinião e sem dúvida, uma ótima aquisição acidental.





Lapa Ferrissia sp. junto a um caramujo Lymnaea. Foto de Walther Ishikawa.



Somente como curiosidade, existe uma espécie neozelandesa bioluminescente, Latia neritoides (família Latiidae), medindo até 11 mm. É a única espécie de caramujo de água doce que emite luz. Na realidade, ele secreta um muco luminescente quando perturbado, sugerindo que tenha alguma finalidade defensiva.


Lapa bioluminescente Latia neritoides, fotografado em Opanuku Pipeline Track, Auckland, Nova Zelândia. Fotos gentilmente cedidas por Shaun Lee.




 

Taxonomia e espécies brasileiras


A característica morfológica externa mais utilizada para o reconhecimento dos Ancilídeos é a concha pateliforme (em forma de prato), mas uma concha de forma similar evoluiu de forma independente em outros grupos de gastrópodes basomatóforos de água doce, em uma forma de convergência evolutiva. Felizmente, todas as Lapas de água doce encontradas no território brasileiro são da família Ancylidae. Mas conchas de forma semelhante são encontradas em outros gêneros, como os Acroloxus (Acroloxidae), uma das Lapas mais comuns em aquários europeus, os Lanx (Lymnaeidae) norte-americanos, os Latia (Latiidae) neozelandeses e os Patelloplanorbis (Planorbidae) indonésios. Vale lembrar também que nenhuma destas Lapas de água-doce tem parentesco direto com as espécies marinhas.


Uma última observação interessante é que algumas propostas de classificação mais recentes, baseadas em análises genéticas, nem mais consideram válida a família Ancylidae, incluindo todos os ancilídeos na família Planorbidae. Curiosamente, esta proposta já vinha sendo feita por alguns autores desde 1897 (Pelseneer), baseados somente em detalhes anatômicos. Para complicar ainda mais, análises moleculares semelhantes sugerem que os Burnupia africanos sejam um grupo à parte, distantes deste grupo de Ancilídeos.




Uncancylus concentricus junto a um Potamolithus. Foto de Walther Ishikawa.



No Brasil são encontrados sete gêneros de Ancilídeos, quatro deles tipicamente neotropicais (Anisancylus, Gundlachia, Hebetancylus e Uncancylus). A sua identificação não é fácil, além da conquiliometria, detalhes da rádula, inserção muscular na concha e anatomia interna precisam ser analisados. Porém, uma identificação grosseira pode ser feita por leigos, baseada na localidade de coleta, dimensões, morfologia da concha (especialmente sua altura e aspecto do ápice) e pigmentação do manto:




 

Espécies de Lapas Brasileiras


Gêneros Tipicamente Neotropicais


Anisancylus Pilsbry, 1924: As duas espécies brasileiras de Anisancylus podem ser reconhecidas pela sua concha mais alta, bem mais elevada do que as demais espécies. Possuem um ápice obtuso e levemente voltado para trás. O local de coleta ajuda bastante na identificação, Anisancylus dutrae (Santos, 1994) é encontrado somente no Nordeste do Brasil (PE até BA), enquanto Anisancylus obliquus (Broderip & Sowerby, 1832) ocorre no Sul do Brasil (somente RS) até o Chile. Medem respectivamente 5 e 7 mm. Outro detalhe útil é a intensa pigmentação homogênea do manto no A. obliquus, podendo ser totalmente preto. É a única espécie brasileira com esta pigmentação tão exuberante. A. dutrae possui pigmentação escura também, mas mais concentrada na periferia do manto.


Hebetancylus Pilsbry, 1913: Representado por somente uma espécie no Brasil, Hebetancylus moricandi (d’Orbigny, 1837), muito comum e amplamente distribuída na América do Sul, do norte da Venezuela a Argentina. É a maior Lapa brasileira, atingindo 15 mm. Sua concha é bastante achatada e com ápice pouco proeminente, mediano. A pigmentação no manto é variável, frequentemente apresentam uma lista pigmentada castanha intensa à direita, especialmente os animais coletados no sul.















Hebetancylus moricandi, coletado em Porto Alegre, RS. Mede cerca de 15 mm. Note o aspecto bastante achatado da concha, com ápice arredondado. Na segunda foto, junto a um filhote. Na última, junto a um Melanoides. A penúltima foto mostra bem a típica faixa pigmentada no manto à direita. Fotos de Walther Ishikawa.






Hebetancylus moricandi, coletado em Valinhos, SP, medindo 9 mm. Note a faixa pigmentada no manto, e as estriações radiais na concha. Fotos de Walther Ishikawa.



Gundlachia Pfeiffer, 1849: As conchas das três espécies brasileiras têm altura variável (veja esquema), todos com ápice arredondado. Outros detalhes devem ser levados em consideração para a identificação. Gundlachia bakeri Pilsbry, 1913 é uma pequena Lapa encontrada somente na região amazônica (PA e AM), habitando águas extremamente ácidas (pH 4.0), lembram bastante as Lapas comuns de aquário, com ápice arredondado e pouco pronunciado, e manto pouco pigmentado. Costumam ter a concha bem escura, por impregnação de taninos e outras matérias destas águas pretas. Gundlachia radiata (Guilding, 1828) é uma espécie problemática para ser identificada porque lembra muito o Hebetancylus moricandi. Como esta, é uma Lapa grande (15 mm), com concha baixa, ápice obtuso e achatado. Ocorre do sul dos EUA até o Brasil, onde tem ampla distribuição. Costuma ter uma pigmentação mais rica e irregular no manto. Gundlachia ticaga (Marcus & Marcus, 1962) é a terceira espécie, pequena (5 mm), possui uma concha relativamente alta, com ápice arredondado e proeminente, bastante recurvado e frequentemente ultrapassando a borda da concha, um detalhe que auxilia na sua identificação. Geralmente possui pouca pigmentação no manto, com um padrão que lembra U. concentricus, mais concentrado à esquerda. Ocorre do sudeste do Brasil (MG, RJ, SP, PR e RS) até a Argentina. Eventualmente pode ser confundido com as lapas comuns de aquário, mas é mais pigmentada e tem tentáculos longos.


Uncancylus Pilsbry, 1913: Representado por somente uma única espécie no Brasil, Uncancylus concentricus (d’Orbigny, 1835), amplamente distribuída, ocorrendo desde a Costa Rica até a Argentina, é o ancilídeo neotropical com distribuição mais austral, preferindo climas mais amenos. Possui um ápice agudo e curvado para trás, o que auxilia na sua identificação. Mede cerca de 11 mm. Seu manto possui uma pigmentação irregular, com manchas escuras.











Uncancylus concentricus, coletada no Rio Jaguari, em Areia Branca, SP. Note su concha, alta, com ápice agudo e curvado para trás. Fotos de Walther Ishikawa.




Uncancylus concentricus, em aquário de Marília, SP. Fotos gentilmente cedidas por Max Wagner.










Lapa Uncancylus concentricus fotografada na represa de Vinhedo, SP. Fotos de Walther Ishikawa.




Gêneros Exóticos e Cosmopolitas


Ferrissia Walker, 1903: É um gênero ancilídeo cosmopolita, no Brasil há registros de Ferrissia gentilis Lanzer, 1991 nos estados de SC e RS, e da espécie exótica norte-americana Ferrissia fragilis (Tryon, 1863) em MG e RJ (provável em GO, ES e SP). São bem pequenos (3 mm), sem pigmentação (F. gentilis) ou somente uma mancha anterior (F. fragilis) do manto, com concha elipsoide e alta, ápice arredondado e não recurvado. Diferente da maioria das outras espécies, o ápice se localiza próximo à linha mediana da concha. Outra característica marcante deste gênero são seus tentáculos cefálicos curtos e arredondados. Muito provavelmente as Lapas comuns encontradas em aquários pertencem a este gênero. A identificação do F. fragilis no Brasil é bastante recente (2015), é uma espécie praticamente cosmopolita, o ancilídeo com distribuição geográfica mais vasta conhecida, sendo encontrado na América do Norte, Europa, Africa, Austrália, e agora América do Sul. Suas cápsulas de ovos contém somente um ovo por cápsula. 







Lapa comum de aquário, Ferrissia sp. Note seus tentáculos cefálicos bem curtos, típico deste gênero. Fotos de Walther Ishikawa.



Duas pequenas lapas Ferrissia em visão dorsal. Note os olhos escuros. Note também a ausência de pigmentação no manto. O exemplar da esquerda é escuro devido aos alimentos no trato digestivo, visíveis através do corpo translúcido. Foto de Juliana Jara.






Cápsulas de ovos de Ferrissia sp., contendo cada uma somente um único ovo. Note como são proporcionalmente grandes em relação ao animal. Fotos de Walther Ishikawa.



Burnupia Walker, 1912: Um gênero tipicamente africano, no Brasil há registros de Burnupia ingae Lanzer, 1991 nos estados do PA, MT, GO, AL, ES, SC e RS, e de uma espécie não-identificada de Burnupia no RJ. É parecido com os Ferrissia, também pequenos (3 mm), sem pigmentação no manto, concha alta com ápice arredondado e não recurvado. Porém, possuem a abertura da concha mais redonda, e o ápice se localiza mais à direita. Seu pé muscular tem a região posterior arredondada, diferente dos Gundlachia que são mais afilados.


Laevapex Walker, 1903: Este gênero tipicamente Norte-americano também foi encontrado no Brasil, uma espécie ainda desconhecida de Laevapex nos estados do PA, BA, ES, SP, GO, PR e RS. Sua concha é típica, com um ápice arredondado, liso, atingindo ou ultrapassando a borda posterior da concha. Possui uma pigmentação concentrada no lado esquerdo do manto. Tentáculos longos e cilíndricos.







Formas septadas e gundlaquioides


Uma curiosa variação morfológica encontrada em alguns Ancilídeos (Gundlachia e Ferrissia) é a formação de um septo na região basal das conchas, fechando parcialmente a sua abertura. Chamada de forma septada ou gundlaquioide, está relacionada com condições ambientais adversas, ou com uma fase de repouso que coincide com a hibernação ou a estivação, de modo a preservar a água do corpo, aumentando a sobrevivência da espécie. São frequentes em algumas espécies, e é um motivo de grande confusão na identificação destes animais. Há casos de formas septadas que foram erroneamente descritas como novas espécies, ou mesmo um novo gênero. Na figura acima, algumas variações septadas e gundlaquioides, em comparação com a forma pateliforme típica (primeiro à esquerda).






Bibliografia:

  • Simone LRL. 2006. Land and Freshwater Molluscs of Brazil. EGB, Fapesp. São Paulo, Brazil. 390 pp.
  • Santos SB 2003. Estado atual do conhecimento dos ancilídeos na América do Sul (Mollusca: Gastropoda: Pulmonata: Basommatophora). Rev Biol Trop 51 (Suppl. 3): 191-224.  
  • Lanzer R. Ancylidae (Gastropoda, Basommatophora) na América do Sul: sistemática e distribuição. Rev. Bras. Zool. 1996; 13(1): 175-210.
  • Dayrat B, Conrad M, Balayan S, White TR, Albrecht C, Golding R, Gomes SR, Harasewych MG, Martins AM. Phylogenetic relationships and evolution of pulmonate gastropods (Mollusca): new insights from increased taxon sampling. Mol Phylogenet Evol. 2011 May;59(2):425-37.
  • Basch PF. 1963. A review of the recent freshwater limpet snails of North America. Bulletin of the Museum of Comparative Zoology at Harvard College. Cambridge, MA. Vol. 129, No. 8. Pages 400-405.
  • Lacerda LEM, Miyahira IC, Santos SB. Shell morphology of the freshwater snail Gundlachia ticaga (Gastropoda: Ancylidae) from four sites in Ilha Grande, southeastern Brazil. Zoologia (Curitiba, Impr.) 2011 June; 28(3): 334-342.
  • Lacerda LEM. Ancylidae (Mollusca, Heterobranchia, Pulmonata, Basommatophora) do Estado do Rio de Janeiro, Brasil: morfologia, sistemática e distribuição geográfica. Tese de Mestrado, Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2011.
  • Lacerda LEM, Santos SB. Burnupia ingae Lanzer, 1991 (Gastropoda, Ancylidae): current distribution on Brazil. Check List 2011; 7:862-864.
  • Santos SB. Gundlachia dutrae: n. sp. from northwest Brazil (Mollusca: Basommatophora: Ancylidae). Mem. Inst. Oswaldo Cruz. 1994 June; 89(2): 153-160.
  • Albrecht C, Wilke T, Kuhn K, Streit B. 2004. Convergent evolution of shell shape in freshwater limpets: the African genus Burnupia. Zoological Journal of the Linnean Society 140(4): 577-586.
  • Lacerda LEM, Richau CS, Amaral CRL, Silva DA, Carvalho EF, Santos SB. 2015. Ferrissia fragilis (Tryon, 1863): a freshwater snail cryptic invader in Brazil revealed by morphological and molecular data. Aquatic Invasions, 10: 157-168.
  • Lacerda LEM, Miyahira IC, Santos SB. First record and range extension of the freshwater limpet Gundlachia radiata (Guilding, 1828) (Mollusca, Gastropoda, Planorbidae) in Brazil. Check List 2013; 9:125-128.
  • Ovando XMC, Lacerda LEM, Santos SB. 2011. Mollusca, Gastropoda, Heterobranchia, Ancylidae, Gundlachia radiata (Guilding, 1828): First record of occurrence for the northwestern region of Argentina. Check List 7 (3): 263–266.
  • Santos SB. On the morphology of Laevapex vazi n. sp. from Brazil (Mollusca: Pulmonata: Basommatophora: Ancylidae). Mem. Inst. Oswaldo Cruz. 1989; 84 (Suppl 4): 467-473.
  • Dillon RT Jr, Herman JJ. (2009) Genetics, shell morphology, and life history of the freshwater pulmonate limpets Ferrissia rivularis and Ferrissia fragilis.  Journal of Freshwater Ecology 24: 261-271.
  • Bowden BJ. Some Observations on a Luminescent Freshwater Limpet from New Zealand. The Biological Bulletin 99, no. 3 (December 1950): 373-380.



Ficha escrita por Felipe Aoki e Walther Ishikawa

Agradecimentos aos aquaristas Mateus Camboim e Max Wagner, e ao fotógrafo neozelandês Shaun Lee pela cessão das fotos para o artigo.



As fotografias de Felipe Aoki e Walther Ishikawa estão licenciadas sob uma Licença Creative Commons. As demais fotos têm seu "copyright" pertencendo aos respectivos autores.

 
« Voltar  
 

Planeta Invertebrados Brasil - © 2018 Todos os direitos reservados

Desenvolvimento de sites: GV8 SITES & SISTEMAS