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"Plesiophysa"  
Artigo publicado em 15/02/2018  


Plesiophysa guadeloupensis, exemplar coletado no Rio de Janeiro. Foto extraído de M.A. Fernandes et al. 2006. Licença Creative Commons.


Caramujo Plesiophysa

 

Plesiophysa Fischer, 1883

 

 

O Plesiophysa é um pequeno caramujo de água doce com uma morfologia bem interessante. Pertence à família Planorbidae, a mesma dos pequenos “ramshorns” e Biomphalaria, vetores de esquistossomose. Porém, não apresentam as típicas conchas achatadas e discoides desta família, lembrando bastante um Physa. Daí seu nome, do grego plesio = próximo. O primeiro exemplar coletado nas Antilhas em 1841 foi inicialmente descrito como uma nova espécie de Physa. Mesmo quando foi proposto o novo gênero, em 1883, foi considerado um subgênero de Bulimus. Somente em 1939 o gênero foi transferido para Planorbidae, baseado em características da rádula, representando uma subfamília própria, Plesiophysinae.

 

Trata-se de um gênero neotropical, contendo quatro espécies, duas encontradas no Brasil:

 

  • Plesiophysa guadeloupensis (P. ornata é um sinônimo menor, provavelmente P. hubendicki também) – Brasil (MA RN PB PE SE BA ES RJ MG GO), Guadalupe, Porto Rico e República Dominicana
  • Plesiophysa dolichomastix – Brasil (GO)
  • Plesiophysa granulata – Barbados
  • Plesiophysa pilsbryi (antigo P. striata) – Martinica e Cuba

 

Alguns artigos descrevem também uma espécie australiana, Plesiophysa johni, mas atualmente esta espécie é classificada no gênero Bayardella.

 

 

 

Concha de Plesiophysa guadeloupensis, exemplar da Coleção de Moluscos do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro. Foto extraído de S.R. Gomes et al. 2016. Licença Creative Commons.



Sua concha mede até 9 mm, lembra bastante um Physa, sendo sinistrógira, de aspecto oval e alongado, alguns o descrevem como “fisóide”. Porém, seus giros se expandem rapidamente, com o giro externo desproporcionalmente inflado, suturas profundas e espira achatada. Abertura bastante ampla, oval-alongada. Coloração âmbar translucida a marrom escuro. Concha áspera, com finas estrias espirais e linhas de crescimento perpendiculares, conferindo um aspecto reticulado tênue. O periostraco possui pelos curtos quando jovem, permanecendo alguns residuais nos adultos, em locais com menos abrasão. Não possuem opérculo.

 

O corpo é semelhante aos demais planorbídeos, com tentáculos cefálicos finos e longos, pé oblanceolato, presença de pseudobrânquia. Hemolinfa incolor. Corpo de cor cinza claro, exceto a cabeça e eixo dos tentáculos, que são bastante pigmentados. O teto da cavidade pulmonar é pigmentado de forma irregular, visível através da concha transparente, com aspecto de manchas claras não pigmentadas sobre um fundo escuro. A borda do manto é fina, sem as projeções típicas dos Physa.

 



Cápsulas de ovos de Plesiophysa guadeloupensis, em folhas de plantas aquáticas. Foto extraído de M.A. Fernandes et al. 2006. Licença Creative Commons.



É um caramujo típico do semi-árido nordestino, onde é encontrado em lagoas efêmeras, que sofrem dessecação completa periodicamente. Existem alguns dados ambientais (como na PB e RJ), mostrando que preferem locais quentes (27 a 30º C), com ampla variação de pH (6.2 a 7.8), dureza e oxigenação. Nestes locais, em períodos de chuva, muitas vezes são a fauna bentônica predominante (chegando a 21% em um trabalho na caatinga de PB). Provavelmente têm alguma forma de diapausa para as épocas secas, mas ainda é desconhecido. São hermafroditas, quando criados em aquários reproduzem-se de forma semelhante aos demais planorbídeos, depositando ovos agrupados em uma cápsula em forma de um disco achatado suboval, sobre plantas aquáticas e outros substratos. Alimentam-se de algas e vegetais em decomposição, em cativeiro, podem receber alface desidratada.

 


 

Importante!!

 

            O P. dolichomastix, que só é encontrada em Santa Rosa, Goiás, é uma espécie ameaçada, listada como “criticamente em perigo” (CR) na relação das espécies em risco de extinção, recém revisada e publicado pelo Ministério do Meio Ambiente e IBAMA (2014). Desta forma, sua coleta e manutenção em cativeiro são proibidas por lei.


 

 

 

Referências:

  • Simone LRL. 2006. Land and freshwater molluscs of Brazil. São Paulo, SP: FAPESP, 390 p.
  • Lima LC. Sistemática e biogeografia família Planorbidae. In: Barbosa FS. Tópicos em Malacologia Médica. Rio de Janeiro: Fiocruz; 1995. 90-96.
  • Paraense WL. Plesiophysa dolichomastix sp. n. (Gastropoda: Planorbidae). Mem. Inst. Oswaldo Cruz. 2002 June; 97(4): 505-508. 
  • Paraense WL. The genus Plesiophysa, with a redescription of P. ornata (Haas, 1938) (Gastropoda: Planorbidae). Braz. J. Biol. 2002 May; 62(2): 333-338. 
  • Paraense WL. Plesiophysa guadeloupensis ("Fischer" Mazé, 1883). Mem. Inst. Oswaldo Cruz. 2003 June; 98(4): 519-521. 
  • Fernandez MA, Thiengo SC, Paraense WL. Primeiro registro de Plesiophysa guadeloupensis ("Fischer" Mazé) no Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Rev. Bras. Zool. 2006 Sep; 23(3): 883-885.
  • Gomes SR, Fernandez MA, Silva EF, Lima AC, Thiengo SC. A Coleção de Moluscos do Instituto Oswaldo Cruz: melhorias em diversidade e infraestrutura ao longo dos últimos anos. Arq. Ciên. Mar, Fortaleza, 2016, 49 (suplemento): 60-68.
  • Souza AHFF, Abílio FJP. Zoobentos de duas lagoas intermitentes da caatinga paraibana e as influências do ciclo hidrológico. Revista de Biologia e Ciências da Terra. Suplemento Especial - Número 1 - 2º Semestre 2006. 146-164.
  • http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/ 
  • http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/biodiversidade/fauna-brasileira/avaliacao-do-risco/PORTARIA_N%C2%BA_445_DE_17_DE_DEZEMBRO_DE_2014.pdf
  • Santos DPN. Macroinvertebrados bentônicos do sedimento litorâneo de ambientes aquáticos do semi-árido paraibano, nordeste do Brasil; Trabalho de Conclusão de Curso; (Graduação em Ciências Biológicas) - Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa, Paraíba. 2009.
  • PAHO-Pan American Health Organization 1968. A guide for the identification of the snail intermediate hosts of schistosomiasis in the Americas. Scientific Publication no. 168, Washington, 122 pp.
  • Walker JC. (1988). Classification of Australian buliniform planorbids (Mollusca: Pulmonata). Records of the Australian Museum 40: 61–89.
  • Cantanhede SPD. Gastrópodes límnicos e helmintofauna associada da Microrregião da Baixada Maranhense, MA, com ênfase nos transmissores da esquistossomose. 2015. 211f. Tese (Doutorado em Biodiversidade e Saúde) - Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Oswaldo Cruz, Rio de janeiro, RJ, 2015.  



 As fotografias de M. A. Fernandes e cols. (2006) e S. R. Gomes e cols. (2016) estão licenciadas sob uma  Licença Creative Commons . As demais fotos têm seu "copyright" pertencendo aos respectivos autores.
 
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