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Microcrustáceos  
Artigo publicado em 11/02/2012, última edição em 03/09/2017  

Um pequeno ostracóide repousando sobre Utricularia graminifolia. Foto de Alex Kawazaki.



Ostracóides e outros microcrustáceos


Uma das criaturinhas “alienígenas” mais comumente encontrados em aquários é o Ostracóide. São diminutos crustáceos medindo somente alguns milímetros, que são vistos nadando na coluna d´água, bem frequente em plantados durante o processo de ciclagem. Além dos Ostracóides, alguns outros pequeninos crustáceos também podem ser vistos em aquários, e este será o tema deste artigo.

 



Microcrustáceos coletados em uma piscicultura em Marília, SP. Exemplares gentilmente cedidos por
Max Wagner. O ostracóide maior é provavelmente um Chlamidotheca arcuata, e aqueles com grande crista na carapaça parecem ser Strandesia bicuspis. Os menores e esverdeados, com espinho terminal são Cypricercus centrura. Também são visíveis Daphnias e Moinas.















Ostracóides

 

São pequeninos crustáceos (classe Ostracoda) de aspecto ovóide, medindo até alguns milímetros, embora existam algumas espécies maiores, com até 5 mm. Possuem uma carapaça bivalve rígida que envolve quase todo seu corpo (seu nome vem do grego ostracon, concha), ficando expostas somente suas antenas e a extremidade das pernas. Parece uma pequena semente, daí seu nome em inglês “seed shrimp”. A cor é bastante variável, alguns possuem belas padronagens quando vistas sob magnificação.

Nadam à meia água como se estivessem planando, geralmente em uma trajetória retilínea e velocidade constante, o que ajuda na sua distinção dos demais microcrustáceos deste artigo.

Vivem nos mais variados ambientes, a maioria das espécies é marinha, e existem até algumas espécies terrestres. Em água doce, são encontrados em diversos habitats, com variados graus de oxigenação, salinidade e poluição. Seus ovos são resistentes à desidratação, sendo por isso encontrados também em corpos d´água temporários. Na realidade, o número e diversidade de ostracóides é maior no substrato, com espécies que vivem enterradas e em meio ao interstício. Porém, os aquaristas terão mais familiaridade com as espécies natantes.  

São totalmente inofensivos, se alimentando de detritos, bactérias e algas, filtrando partículas com suas antenas. Algumas espécies são assexuadas, se reproduzindo por partenogênese. Das sexuadas, algumas carregam seus ovos, enquanto outras as depositam no substrato. Dos ovos emergem pequenos náuplios, mas que já têm carapaça bivalve.

Diferente dos demais animais que serão descritos adiante, geralmente acaba se formando uma pequena população fixa destes seres no aquário. Isto ocorre porque todo seu ciclo de vida se completa dentro do ambiente do aquário (diferente dos Ácaros Hydracarina), e são animais que são menos predados por peixes, devido à sua carapaça (o que não ocorre com os Copépodos e Pulgas d´água). Desta forma, ao contrário destes outros animais, que esporadicamente surgem nos tanques e desaparecem depois de algum tempo, os Ostracóides acabam sendo incorporados na biota de qualquer aquário estabilizado. Procurando com cuidado, quase todo aquário possui uma pequena colônia de Ostracóides contribuindo no processamento de matéria orgânica.


Na realidade, existem muitos ostracóides que não nadam, usando seus apêndices para rastejar no fundo ou escavar o substrato. Por este motivo, muitas destas espécies não são percebidas pelo aquarista, apesar de estarem presentes no substrato do aquário. Um exemplo destes ostracóides "de fundo" é o gênero Elpidium, um curioso grupo que só é encontrado em reservatórios de água de bromélias. Pegam carona em anfíbios e répteis para se deslocar entre uma planta e outra. Outra forma de transporte é ao serem ingeridos por estes animais, fecham firmemente suas valvas e passam intactos pelo seu sistema digestório.

Outra curiosidade, existe um grupo de ostracóides de água doce que são ectocomensais de crustáceos, da família Entocytheridae. Não há registros na América do Sul, mas em muitos locais foram detectados junto à populações invasoras de Lagostim-vermelho, como na Península Ibérica. Desta forma, é possível que em breve tenhamos notícias destes comensais no nosso país.

 




Pequenos ostracóides Cypridopsis em macro, e sobre a concha de um Biomphalaria intermedia. Fotos de Walther Ishikawa. Exemplares da primeira foto gentilmente cedidos por Fernando Barletta.






Ostracóide Strandesia bicuspis sobre o cascalho. A concha bivalve é bem visível nestas imagens. A "crista" visível na última foto é típica desta espécie. Fotos cedidas por Renato Chinelatto e Vithor Dantas.









Ostracóide Strandesia bicuspis no aquário. A segunda foto mostra os animais alimentando-se de uma carcaça de camarão. Fotos cedidas por Felipe Lange.




Ostracóide Cypridopsis vidua, de variadas dimensões. Foto cedida por Sérgio K. Saruwataru.





Ostracóide Cypridopsis sp. e outra espécie desconhecida, coletados em Vinhedo, SP. Fotos de Walther Ishikawa.



Diminuto ostracóide, provável Ilyocypris, coletado em Divinópolis, MG. Fotos de Fernando Barletta.



Ostracóides sobre um pedaço de pepino, uma espécie distinta daqueles na foto acima, com o corpo mais alongado e diferente padronagem. Foto de Walther Ishikawa.



Ostracóide fotografado em um aquário plantado. Fotos de Fábio Burgarelli.



Provável Cypricercus centrura com uma bela coloração. Note o espinho na região posterior da carapaça. Exemplares de Marília, SP, gentilmente cedidos por Max Wagner.









Ostracóide do gênero Chlamidotheca, exemplares da Venezuela. Alguns dos maiores ostracóides pertencem a este gênero. Trata-se de pelo menos duas espécies, a maior delas é uma Chlamidotheca unispinosa, suas grandes dimensões, a forma da concha bivalve e a projeção em espinho na extremidade são típicas desta espécie. A menor parece ser C. arcuata. Fotos cedidas por Richard Asten.




Chlamidotheca arcuata, fotografados em Marília, SP. Exemplares gentilmente cedidos por Max Wagner, foto de Walther Ishikawa.







Chlamidotheca em um aquário ornamental. Aqui também são pelo menos duas espécies, a maior parece ser Chlamidotheca unispinosa e a menor Chlamidotheca wrighti. Fotos cedidas por Cláudio Moreira.




Chlamidotheca com suas valvas abertas, alimentando-se. No vídeo podem ser vistos também um alevino de Betta, um filhote de Ramshorn, além de diversos micro-organismos. Vídeo de Cláudio Moreira.








Chlamidotheca arcuata coletadas em um pesqueiro, em Valinhos, SP. Aparentemente mais de uma espécie, note o indivíduo no canto inferior direito, segunda foto (provável Chlamidotheca iheringi). Fotos de Walther Ishikawa.












Ostracóides Elpidium, um gênero encontrado exclusivamente em fitotelmas de bromélias, fotografados em Ubatuba, SP (últimas duas fotos, e vídeo) e Paraty, RJ (demais imagens). Na sexta foto, uma larva de Microculex coletado no mesmo habitat, para referência de tamanho. Estes ostracóides não nadam, rastejando-se no substrato destes microhabitats, como mostra o vídeo. Fotos e vídeo de Walther Ishikawa.






Ostracóides Rudjakoviella prolongata, uma interessante espécie monotípica do gênero, com uma forma bastante curiosa, endêmica de lagos temporários de Isla Margarita, Venezuela. Estes espécimes nasceram após cerca de um ano de diapausa. Fotos e vídeos gentilmente cedidos por Richard Asten.





Para a segunda parte do artigo (incluindo referências bibliográficas e agradecimentos) clique  aqui
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