INÍCIO ARTIGOS ESPÉCIES GALERIA SOBRE EQUIPE PARCEIROS CONTATO
 
 
    Espécies
 
Mosquitos Culex  
Artigo publicado em 12/05/2013, última edição em 04/12/2017  

Culex (Microculex) sp., Série pleuristriatus. Coletados em fitotelma de uma bromélia em Ubatuba, SP. Foto de Walther Ishikawa.


Este artigo é um dos três que complementam o artigo principal sobre larvas de mosquitos, que pode ser acessado  aqui . As referências bibliográficas estão todas reunidas neste primeiro texto.




 

Culex

 

O Culex (Culex) quinquefasciatus Say 1823 é um dos mosquitos mais freqüentes em áreas habitadas pelo homem com saneamento precário. Esta espécie é adaptada ao desenvolvimento de imaturos em água estagnada com forte carga orgânica. Possui vários nomes populares, como pernilongo, muriçoca, carapanâ, sovela e zancudo.

C. quinquefasciatus é o vetor primário e principal da filariose linfática conhecida como elefantíase (filariose bancroftiana) no Brasil. Sua predileção pelo sangue do homem (único hospedeiro da Wuchereria bancrofti) e a sua preferência por sugar durante a noite (período de aumento da microfilaremia periférica) facilitam muito o contato das microfilárias com este culicíneo, tornando-o mais eficaz que os outros mosquitos susceptíveis. Também tem sido incriminado como vetor de arbovírus dentro de vilas rurais e cidades, como o vírus Oropouche, onde atua como vetor secundário. É a única espécie do gênero Culex com importância como vetor de doenças humanas.

 

Ovos: Depositam seus ovos em conjuntos, com aspecto de "jangada", que flutuam na superfície da água. Sensíveis à dessecação, estes ovos murcham fora d'água.

Larvas: Têm o aspecto habitual das larvas da subfamília Culicinae, adquirindo uma posição oblíqua em relação à superfície da água. A cabeça é maior e mais larga do que outros mosquitos. Possui um sifão longo e fino (4 ou 5 vezes o valor da largura basal no C. quinquefasciatus).

Adultos: São mosquitos de porte médio, cor de palha (coloração geral marrom escuro ou claro), sem brilho metálico, tarsos escuros, sem marcação clara. Suas asas não possuem manchas.

Habitat: O Culex quinquefasciatus é considerado cosmopolita, foi originalmente descrito de espécimes de New Orleans, EUA. Tipicamente urbano e antropofílico, é encontrado em maior quantidade nos aglomerados humanos, dentro das cidades e vilas rurais.

Seus criadouros preferenciais são os depósitos artificiais, com água rica em matéria orgânica em decomposição e detritos, de aspecto sujo e mal cheiroso. Estão sempre próximos às habitações, pois esse Culex é extremamente beneficiado pelas alterações antrópicas no ambiente peridomiciliar. Porém, outras espécies são essencialmente silvestres.

Comportamento: Na fase adulta, as fêmeas hematófagas têm hábitos noturnos, tendem a frequentar os domicílios nos quais encontram abrigo e alimentação. Perturbam bastante o sono das pessoas, principalmente pela sua habitual atividade noturna, mas não costumam ser tão agressivos como os Aedini. São muito atraídos pela luz artificial.

 


Mosquito Culex sp. Foto de Sonia Furtado.

Ooteca flutuante do Culex quinquefasciatus. Fotos de Walther Ishikawa.



Culex sp., pelo menos duas espécies, fotografadas em Marília, SP. Note a diferença, por exemplo, nos sifões. Foto de Walther Ishikawa.








Larva de Culex cf. coronator, espécie com sifão bastante longo, as primeiras imagens com larvas mais desenvolvidas, e a última com a larva imatura. Fotos de Walther Ishikawa.



Larvas e pupa de Culex quinquefasciatus.



Pupas de Culex quinquefasciatus, em dois estágios.





Larva de Culex cf. nigripalpus, esta espécie tem o 4o segmento abdominal claro, especialmente nas primeiras fases de larva. Fotos de Walther Ishikawa.











Larva de Culex (Melanoconion) vaxus, grupo Educator, coletadas em uma lagoa em Vinhedo, SP. Fotos de Walther Ishikawa.




Pupas em dois estágios de desenvolvimento, e o mosquito adulto Culex (Melanoconion) vaxus. Na última foto, a fêmea à esquerda. Fotos de Walther Ishikawa.



        O subgênero Microculex é constituído de pequenas espécies sem importância médica, fêmeas adultas sugam sangue de pássaros e animais de sangue frio. Muitas espécies são especializadas em se reproduzir em fitotelmas (bolsões de água) de bromélias. As larvas têm tipicamente o sifão bastante longo e fino, muitos com o corpo bastante colorido. 














Ovos, larvas e pupas de Culex (Microculex) cf. pleuristriatus. coletadas em fitotelmas de bromélias em Paraty, RJ (primeira foto) e Ubatuba, SP (demais). Os Microculex da Série pleuristriatus são os únicos que têm o sifão mais curto e grosso. Fotos de Walther Ishikawa.



Larva de Culex (Microculex) sp. grupo imitator,  coletada em fitotelma de bromélia em Paraty, RJ, juntamente com um Phoniomyia. Fotos de Walther Ishikawa.


















Culex (Microculex) sp., Série pleuristriatus. Larvas, pupas e o inseto adulto. Coletados em fitotelma de uma bromélia em Ubatuba, SP. Foto de Walther Ishikawa.







Larvas de Mosquitos Culicídeos fotografados em um fitotelma de bromélia, em Ubatuba, SP. Um Culex (Microculex) da série imitator (retrosus?), três da série pleuristriatus e um Anopheles (Kerteszia) cruzii. Fotos de Walther Ishikawa.






A principal fonte bibliográfica deste artigo foi o livro Principais Mosquitos de Importância Sanitária no Brasil. Rotraut A. G. B. Consoli & Ricardo L. de Oliveira Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1994. 228 p. O livro pode ser baixado gratuitamente através do link  aqui 


Este artigo só foi possível com a colaboração de diversos amigos e colegas, aos quais somos muito gratos. Agradecimentos à fotógrafa Sonia Furtado pela cessão da sua foto para o artigo. Agradecemos também aos biólogos Ivy Luizi Rodrigues de Sá pela identificação do Melanoconion, e Adriano Mendonça pela identificação dos Microculex.


As fotografias de Walther Ishikawa estão licenciadas sob uma licença Creative Commons. As demais fotos têm seu "copyright" pertencendo aos respectivos autores.
 
« Voltar  
 

Planeta Invertebrados Brasil - © 2018 Todos os direitos reservados

Desenvolvimento de sites: GV8 SITES & SISTEMAS