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Outros Culícídeos  
Artigo publicado em 12/05/2013, última edição em 17/10/2018  


Larvas de
Culex (Microculex), Culicini e Wyeomyia (Phoniomyia), Sabethini. Coletadas no fitotelma de bromélia, junto com Anopheles, em Paraty, RJ. Foto de Walther Ishikawa.

Este artigo é um dos três que complementam o artigo principal sobre larvas de mosquitos, que pode ser acessado  aqui . As referências bibliográficas estão todas reunidas neste primeiro texto.



Outros Mosquitos Culicídeos

 




Aedeomyia squamipennis

 


            A tribo Aedeomyiini possui somente um gênero, Aedeomyia, encontrado na África (duas espécies), Oceania (duas espécies) e somente uma espécie no Brasil e Américas, Aedeomyia squamipennis (Lynch & Arribalzaga, 1878), distribuído desde o México até a Argentina.

            Trata-se de um mosquito pequeno, de aspecto felpudo e de colorido branco, pardo e preto, com algumas áreas amareladas. Os segmentos flagelares das antenas são curtos, semelhantes a pequenas esferas. Os fêmures médio e posterior são dotados de um tufo de escamas salientes.

 

            Suas formas imaturas são encontradas principalmente em coleções liquidas de tamanho médio ou grande, geralmente profundas, ricas em vegetação flutuante, como lagoas, bolsões de rios e igarapés e corixos. As larvas são capazes de permanecer sem renovar o ar na superfície durante períodos mais longos do que a maioria dos Culicinae, com tempo de submersão superior a 10 minutos. Um trabalho recente demonstrou que estas larvas retiram oxigênio diretamente do parênquima de plantas aquáticas, de forma semelhante aos Psorophora. Foi identificada a presença de dois ganchos na extremidade do sifão das larvas, usadas para a fixação nas estruturas vasculares das macrófitas.

            Esta espécie é conhecidamente ornitófila. Pratica o hematofagismo durante a noite, procurando aves dos seus abrigos, inclusive nos galinheiros. Foi incriminada como vetor natural de malária aviária na Venezuela, e existe um risco potencial de circulação do vírus do sorogrupo Gamboa. Alguns registros mostram que este gênero pode picar seres humanos, mas não é sua presa principal.









Larva e pupa de Aedeomyia squamipennis, fotografados em uma lagoa com muitas Salvinias, em Itu, SP. Fotos de Walther Ishikawa.



Haemagogus

 

Além da Dengue e Malária, outra doença transmitida por mosquitos culicídeos é a Febre Amarela, também uma arbovirose (um acrônimo, de “arthropod borne virus”). Desde 1942 a Febre Amarela é considerada erradicada em áreas urbanas do Brasil, em parte devido a uma eficiente campanha de vacinação para as pessoas que visitam áreas endêmicas. Nas cidades, o vetor da Febre Amarela é o Aedes aegypti. Nas áreas endêmicas, o vírus ocorre em animais portadores (principalmente macacos cebídeos), a transmissão se dá pela picada de um mosquito silvestre que previamente picara estes hospedeiros animais, o mais comum (vetor primário) é o gênero Haemagogus, mas outro gênero importante, secundário, é o Sabethes.

Ao contrário do Aedes e outros mosquitos, a transmissão vertical do vírus em mosquitos desempenha um importante papel na manutenção do reservatório viral silvestre. Diferentemente do que muitos acreditam, os mosquitos são os verdadeiros reservatórios do vírus ao passo que macacos são fontes de infecção para mosquitos apenas durante alguns dias. Depois de picados por um vetor infectado com o vírus, ou estes mamíferos morrem ou se tornam imunes a novas infecções. Desta forma, os macacos, quando infectados, podem transmitir o vírus para mosquitos que os picarem por apenas três a cinco dias, período da viremia. São os mosquitos que mantêm o vírus no ambiente silvestre, até mesmo na ausência de macacos infectados.

Haemagogus é um gênero restrito ao Novo Mundo, e quase todas as espécies são Neotropicais, 8 espécies assinaladas no Brasil. As espécies deste gênero estão entre os mais bonitos Culicinae. Seu corpo é recoberto de escamas de cores variadas e de reflexo metálico (azulado, esverdeado, violáceo, prateado). Parecem ser os culicíneos mais próximos, filogeneticamente, dos Sabethini, tribo que inclui os mosquitos de coloridos e brilhos mais intensos.

 

Ovos: Seus ovos, muito resistentes à dessecação, são colocados, isoladamente, em substratos úmidos de recipientes naturais. A eclosão se dá na época mais chuvosa do ano, quando os ovos de cada espécie parecem ter respostas diferentes aos estímulos externos para eclosão (número de contatos com a água), de maneira que as primeiras chuvas favorecem o aparecimento das larvas de alguns Haemagogus, enquanto outras de suas espécies nascerão quando a estação chuvosa já estiver plenamente estabelecida.

Larvas: Têm um aspecto bastante parecido com os Aedes.

Adultos: São mosquitos de escudo revestido de escamas coloridas em tons de verde, azul, cobre, bronze ou cores semelhantes, mas com forte brilho metálico. Lembram os sabetinos, dos quais são parentes próximos, mas não têm as cerdas em forma de remo nas pernas.

Habitat: Os criadouros preferidos dos Haemagogus são, decididamente, os buracos ou ocos de árvores. Podem ser encontrados criando-se, com muito menor frequência, em cascas de frutas e internódio de bambu. Sua presença está vinculada à existência desses criadouros, o que torna os Haemagogus restritos às florestas e, no máximo, à sua vizinhança. São muito mais frequentes nas copas das árvores, onde se alimentam principalmente do sangue de macacos.

Comportamento: São mosquitos essencialmente diurnos e silvestres.



Haemagogus e Sabethes, os principais vetores da forma silvestre da Febre Aamarela. Fotos de Genílton Vieira (Instituto Oswaldo Cruz).










Larvas e pupas de Haemagogus leucocelaenus. Fotos de Max Malmann.

 

 

Sabetinos

 

Os mosquitos Sabetinos (tribo Sabethini) são muitas vezes chamados de “Mosquitos-borboletas”, por serem bastante coloridos, muitas vezes com uma cor iridescente e metálica. Várias espécies têm longas cerdas e escamas nas pernas, formando estruturas parecidas com remos, usadas em uma elaborada exibição sexual. Outra característica peculiar é a forma como pousam, com as pernas posteriores tão dobradas por cima do corpo que passam sobre a cabeça (embora não seja exclusiva deste grupo, por exemplo, veja adiante Psorophora ferox). Das 375 espécies conhecidas, 124 já foram encontradas no Brasil.

As formas imaturas aquáticas dos sabetinos se desenvolvem na água contida em recipientes formados por plantas, como a água acumulada em bromélias, bambus furados ou cortados, ocos de árvores, frutas cortadas e caídas no solo. A postura de uma espécie comum, Sabethes chloropterus, é especialmente curioso: as fêmeas pairam diante do furo de um bambu e lançam os ovos no seu interior, com ótima pontaria e com força suficiente para que eles atinjam uma distância de 2,5 cm a 10 cm. O Trichoprosopon digitatum (vetor da Encefalite de Saint Louis) é outra espécie com um comportamento interessante, a mãe, após colocar os ovos, permanece sobre eles, aparentemente para protegê-los, até o nascimento das pequenas larvas, 24 horas após a postura.

Suas larvas são em geral predadoras, principalmente de outras larvas de mosquitos, até mesmo das de seus irmãos. Diante disso e do fato de as fêmeas depositarem poucos ovos em cada criadouro, a quantidade de larvas encontradas costuma ser pequena.

 

Ovos: Os ovos são depositados isoladamente. Suas fêmeas grávidas são realmente adaptadas a desovar em recipientes cuja abertura para o meio externo é pequena: um orifício estreito. Neste caso, as fêmeas sobrevoam o local, aproximam-se do orifício e, voltando a ponta do abdome em direção à abertura, atiram 1 ou 2 ovos através dela.

Larvas: Têm o aspecto habitual das larvas da subfamília Culicinae, adquirindo uma posição oblíqua em relação à superfície da água, quando obtêm oxigênio do ar atmosférico.

Adultos: Os Sabethes são, indubitavelmente, os mais belos mosquitos. São dotados de colorido variado e de reflexos cintilantes. Seu escudo, pleura e abdome são intensamente recobertos por escamas que emprestam ao mosquito um aspecto metálico. As tíbias podem apresentar tufos de escamas longas que dão a esses apêndices a aparência de pás de remos. Pousam com as pernas posteriores tão dobradas por cima do corpo que passam sobre a cabeça.

Habitat: E uma tribo quase inteiramente neotropical. Suas espécies são essencialmente silvestres, está geralmente ligado à existência de florestas densas, quentes e úmidas.

Cria-se em recipientes naturais permanentes, preferencialmente em ocos de árvore, principalmente naqueles grandes mas com abertura pequena para o exterior (o que prolonga a existência do líquido, protegendo-o da evaporação intensa). Outros possíveis criadouros são internódios de bambu e axilas de folhas.

Comportamento: São exclusivamente diurnos, o que explica suas colorações vivas. São mosquitos muito "tímidos", geralmente pouco agressivos ou mesmo muito "inibidos", que sobrevoam muitas vezes a vítima antes de pousar, o que frequentemente fazem sobre o rosto, particularmente no nariz. Voam lentamente, com as pernas posteriores voltadas para frente, em arco acima do tórax, e quando ameaçados, afastam-se do hospedeiro voando de costas, de ré.

 




Sabethes cyaneus, fotografado na Guiana Francesa. Fotos de Paul Bertner.



Sabetino picando a ponta do nariz da sua vítima. Foto de Anthony Érico Guimarães.



Sabetino, provável Wyeomyia, um dos gêneros menos coloridos. Fotografado no Parque Estadual das Dunas de Natal, Natal, RN. Foto gentilmente cedida por Tibério Graco.





Sabethes belisarioi, fotografado em Itapevi, SP. Fotos de Anna Julia Demeciano.







Limatus durhamii, f
otografado no Parque do Pico do Jaraguá, SP. Fotos de Walther Ishikawa.






Limatus durhamii
, f
otografado em Itamambuca, Ubatuba, SP. Fotos de Walther Ishikawa.










Larva e pupa de Limatus durhamii, coletadas em casca de côco em Goiânia, GO. A segunda foto mostra larva predando pupa de Aedes aegypti.
Fotos gentilmente cedidas por Max Malmann.










Larva de Wyeomyia (Phoniomyia), note os seus pequenos olhos. Coletada no fitotelma de bromélia, junto com Anopheles e Microculex em Paraty, RJ. Fotos de Walther Ishikawa.













Provavelmente duas espécies do gênero
Wyeomyia (Phoniomyia), com sua típica probóscide longa e com extremidade curva. Trata-se de um gênero que habita exclusivamente fitotelmas de bromélias. O vídeo mostra desova do segundo exemplar. Em Paraty, RJ. O primeiro parece ser um W. (P.) flabellata. Fotos e vídeo de Walther Ishikawa.













Wyeomyia (Phoniomyia),
coletadas em fitotelmas de bromélias, em Ubatuba, SP. Fotos tiradas em duas ocasiões, em duas plantas diferentes. Fotos de Walther Ishikawa.

















Larvas e pupas de
Wyeomyia (não sei se são da mesma espécie) coletadas em um fitotelma de bromélia, no PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), Iporanga, SP. Fotos de Walther Ishikawa.




Veja a segunda página do artigo  aqui .
 
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