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"Pomacea curumim"  
Artigo publicado em 03/01/2021  

Pomacea (Pomacea) curumim

Simone, 2004





Pomacea curumim é uma espécie recentemente descrita (2004), uma pequenina espécie amazônica com uma história bastante interessante. Diminutos exemplares de Pomacea foram coletados no Rio Xingu em 1994, como parte de um levantamento faunístico por uma equipe de ictiologistas do MZUSP, inicialmente interpretadas como filhotes de espécies comuns de Pomacea. Somente depois de vários anos foram dissecados, e descobriu-se tratar de exemplares adultos, uma nova espécie batizada de Pomacea curumim, do Tupi "curumim" (= criança). É a menor espécie conhecida de ampularídeo no mundo, e possui algumas características morfológicas e fisiológicas bastante peculiares.      



Comparação de dimensões da Pomacea curumim com as duas maiores espécies conhecidas do gênero, e com a espécie comum criada em aquários. As dimensões na foto são das medidas desta espécie no artigo original, e dos maiores exemplares conhecidos de P. urceus e maculata. A foto da P. curumim é de Luiz Ricardo L. Simone, de um exemplar com cerca de 7 mm. As fotos do P. urceus e P. maculata são de Bill Frank, os exemplares das fotos mediam respectivamente 82 e 79 mm. A foto do P. diffusa é de Kenneth Hayes, foi usada uma dimensão média de 50 mm para esta espécie.



Concha: Muito pequena, medindo até 12 mm. Aspecto globoso, contorno externo quase circular exceto alargamento próximo à sutura superior. Espira pequena, baixa e erodida, cerca de quatro giros convexos. Abertura elíptica, discretamente alongada no sentido anteroposterior. Lábio externo arredondado, com margem cortante. Lábio interno côncava na metade superior, sem calo, e convexa na inferior, com margem cortante. Umbilicus profundo, estreito e simples.  

A cor é bege esverdeado claro, o periostraco é espesso e liso, eventualmente com estrias axiais ou espirais em algumas áreas.

O opérculo é semelhante às demais Pomacea, mas discretamente mais longo antero-posteriormente. Estrias concêntricas na superfície externa.


Partes moles: o pé é semelhante às demais ampulárias, mas mais curto antero-ventralmente, e mais largo lateralmente. A cabeça é bem larga, e os tentáculos estão localizados lateralmente.



Pomacea curumimexemplar do lote original coletado no Rio Xingu, PA. Fotos cortesia de Luiz Ricardo L. Simone.



Reprodução: Não há dados sobre a reprodução, ou coloração dos ovos, nem ao menos sobre oviposição aérea ou não. A anatomia do sistema reprodutor é similar às demais espécies de Pomacea, mas esta espécie habita águas profundas de rios límpidos.



Alimentação e Comportamento: não há dados objetivos, mas algumas interessantes inferências a partir de sua anatomia interna. Seu pulmão é pequeno e pouco desenvolvido, provavelmente trata-se de um processo de neotenia / pedomorfose, indicando perda da respiração aérea, por viverem em ambientes bem oxigenados e maiores profundidades. Achados semelhantes já foram vistos em algumas ampulárias africanas do Lago Malawi, que também vivem em grandes profundidades, e não emergem para respirar ar. Não há dados sobre a alimentação, mas o sistema digestório é muito semelhante a outras ampulárias, sugerindo hábitos similares. 




Distribuição geográfica de Pomacea curumim no Brasil. Imagem original Google Maps; dados das referências bibliográficas abaixo.



Habitat e distribuição: 

Pomacea curumim é conhecida somente da sua localidade tipo, no Rio Xingu, no Pará, entre Senador José Porfiro e Porto de Moz. Foram coletadas em rios de águas límpidas e fundo arenoso e rochoso, em maiores profundidades, cerca de 12,5 a 20 m.




 

 









Bibliografia adicional:
  • Simone LRL. 2006. Land and Freshwater Molluscs of Brazil. EGB, Fapesp. São Paulo, Brazil. 390 pp.
  • Simone LRL. Comparative morphology and phylogeny of representatives of the superfamilies of architaenioglossans and the Annulariidae (Mollusca, Caenogastropoda). Arquivos do Museu Nacional, 2004,62(4):387-504. 

 

 

Agradecimentos ao Prof. Luiz Ricardo L. Simone (MZUSP), descritor desta espécie de Ampulária, pelo cessão das fotos para o artigo, e valiosas informações. Agradecemos também ao zoólogo Dr. Kenneth Hayes e Bill Frank ( Jacksonville Shell Club  ) pelo uso das fotos no artigo. 


 As fotografias de Bill Frank e Kenneth Hayes estão licencidas sob uma  Licença Creative Commons As demais fotos têm seu "copyright" pertencendo aos respectivos autores.
 
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