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Neritina comum  
Artigo publicado em 30/01/2012, última edição em 02/04/2022  


Neritina comum, Neritina virginea (somente a concha inferior à esquerda) e Neritina meleagris (demais). Foto de Cinthia Emerich.



Nome popular: Neritina comum, Neritina virgínea, Aruá-do-Mangue

Nome científico: Neritina (Vitta) virginea (Linnaeus, 1758) e Neritina (Vitta) meleagris Lamarck, 1822

Família: Neritidae

Origem: Ampla distribuição na costa atlântica das Américas, desde a Florida (EUA), através do Golfo do México, América Central, Ilhas do Caribe, até o Sul do Brasil (SC). Também na costa pacífica do Panamá.

Sociabilidade: Grupo

pH: 7.0 a 8.0

Temperatura: 24 a 28ºC

Dureza da água: Dura

Tamanho adulto: 1,9 cm

Alimentação: herbívoro - plantas em decomposição e algas, principalmente as diatomáceas.

Dimorfismo sexual: o macho possui um complexo peniano como nas Ampulárias, e a fêmea possui dois gonoporos, um para a saída dos ovos e outro para a entrada do espermatóforo.

Comportamento: Pacífico

 

As Neritinas são pequenos caramujos bastante coloridos, originários de mangues / estuários, mas que se adaptam bem a aquários de água doce. Possuem uma concha globosa e semi-esférica, com espira baixa, de aspecto porcelanoso e não-nacarado, com superfície lisa e polida. São excepcionais algueiros, mas têm o inconveniente de depositarem cápsulas de ovos nos vidros, rochas, etc. Há três espécies de Neritinas ocorrendo no Brasil, Neritina zebra, Neritina virginea e Neritina meleagris, uma controvérsia que finalmente foi solucionada por estudos moleculares em 2020 (veja texto adiante).

A “Neritina comum” (Neritina virginea e Neritina meleagris)  tem uma concha com uma grande variedade de cores e padrões, coloração variando entre vermelho, amarelo-oliva, preto, branco, roxo e cinza. Possui listras axiais retas ou em zigue-zague, mosqueadas ou com aspecto de escamas imbricadas com bordas pretas. Alguns autores relatam uma variação na cor dependente da salinidade, com populações em locais de menor salinidade tendo cores mais escuras e opacas. Em água salobra há predomínio de cinza-esverdeado, enquanto que em água salgada surgem matizes púrpuras e vermelhas. Seu opérculo é escuro, eventualmente cinza ou esbranquiçado. Possui tentáculos finos e longos, que podem passar o tamanho do corpo delas em comprimento e só ficam à mostra quando se sentem seguras, normalmente em aquários, com peixes que as importunem, elas mantém os tentáculos protegidos sob a concha, mas quando em aquário específico para elas, deixam seus longos tentáculos expostos.


 


Neritina meleagris, note os contornos das marcas na concha em cor branca e preta. Foto de Cinthia Emerich.


Neritina virginea, note os contornos das marcas na concha somente preta. Foto de Cinthia Emerich.



Controvérsias sobre a taxonomia - quantas espécies de Neritinas brasileiras?

Muitas Neritinas têm conchas muito semelhantes, e a distinção entre diversas espécies baseada somente nas suas conchas é muito difícil. A maior parte da literatura científica descreve duas ou três espécies de Neritina ocorrendo no litoral brasileiro, além da Neritna zebra, com morfologia distinta, havia alguma dúvida sobre Neritina virginea e Neritina meleagris, ambas muito parecidas, e muitos autores considerando a segunda como sendo um sinônimo da primeira. Esta dúvida foi definitivamente solucionada num trabalho de 2020, que confirmou a validade de N. meleagris usando dois marcadores mitocondriais (COI e 16S).



Neritina virginea, 16 mm, exemplares da Flórida (EUA), Cancun e Colômbia (tipo). Fotos de Thomas Eichhorst, portal Neritopsine Gastropods (Licença Creative Commons, veja link no final do artigo).



Neritina meleagris, 15 mm, exemplares do Brasil, Belize e Trinidad. Fotos de Thomas Eichhorst, portal Neritopsine Gastropods (Licença Creative Commons, veja link no final do artigo).



São espécies bem parecidas, mas a distinção pode ser feita de forma relativamente simples, usando um detalhe nas cores das marcas das conchas: as duas espécies possuem linhas em zigue-zague contornando áreas mais claras, com um padrão que lembra escamas. Na N. virginea, as linhas que margeiam estes desenhos são pretos. Na N. meleagris, estas linhas são brancas, pretas e brancas, ou vermelhas e brancas (vejam as fotos do artigo). Há outros detalhes mais sutis, como diferenças nos pequenos dentes do lábio interno da abertura da concha (não examináveis em animais vivos) e a cor e forma do opérculo (geralmente azul-enegrecido e alongado na N. virginea, cinza a marrom acinzentado e semicircular na N. meleagris).


Apesar da confirmação da sua validade, provavelmente há muita confusão na literatura científica envolvendo estas duas espécies, parte da literatura já publicada da N. virginea deve corresponder à N. meleagris (ou até a outra espécie). Parece haver alguma confusão sobre a distribuição geográfica, as duas espécies são simpátricas em boa parte do litoral brasileiro, mas a distribuição de N. meleagris é um pouco mais restrita, descrita como ocorrendo desde Belize, na América Central, até São Paulo (Brasil), incluindo as ilhas do Caribe. A N. virginea é encontrada até Santa Catarina no nosso país.

Não é claro a tolerância a baixas salinidades da N. meleagris, descrita como habitante de água salgada ou salobra, em zonas entre-marés de baías e manguezais. Esta confusão poderia explicar também alguns relatos conflitantes de artigos científicos descrevendo reprodução primitiva em N. virginea, com cápsulas liberando véligers planctônicos ao invés de pequenos caramujos, com um tempo de incubação de 20 dias. Há até descrições morfológicas destes véligers (Bandel 1982).


 

Além destas três espécies, há menção a duas outras espécies de Neritina como ocorrendo no litoral brasileiro, com conchas parecidas com à da Neritina virginea, mas cuja ocorrência é questionada. São a N. clenchi e N. piratica, ambas do subgênero Vitta. Alguns artigos antigos considerem as duas como sinônimos do N. virginea, hoje sabe-se que N. piratica é uma espécie válida, novamente baseada em análises moleculares com exemplares da Colômbia (Quintero-Galvis e colaboradores, 2013). N. clenchi é também considerada válida, mas ainda sem estudos moleculares.



Neritina clenchi, 17 mm, exemplares da Dominica e Tobago. Fotos de Thomas Eichhorst, portal Neritopsine Gastropods (Licença Creative Commons, veja link no final do artigo).


Neritina clenchi (Russell, 1940) é uma espécie encontrada em corredeiras e riachos litorâneos de água doce, descrita desde a Guatemala e ilhas do Caribe até Tobago. Há descrições na Flórida (EUA), mas sem registros de coletas recentes. Geralmente têm concha mais escura, muitas vezes enegrecida, com pequenas manchas brancas. Provavelmente os registros no Brasil se tratam de exemplares de N. virginea com concha negra, que é uma variação comum.




Neritina piratica, 22 mm, exemplares da Guatemala e Panamá. Fotos de Thomas Eichhorst, portal Neritopsine Gastropods (Licença Creative Commons, veja link no final do artigo).

 

Neritina piratica (Russell, 1940) é uma espécie maior, encontrada em água salobra, principalmente manguezais pantanosos. É descrita desde o sul da península do Yucatán (México), toda a América Central, Venezuela, e extremo norte do Brasil. Também nas ilhas Antilhas. Embora muitos autores a considerem sinônimo de N. virginea, ele lembra mais a N. zebra, seja pelas dimensões quanto cor e padronagem. Se ocorre realmente no Brasil, parece ser restrito ao litoral do extremo norte do país.



 

Reprodução: A reprodução da Neritina virginea já foi bem documentada, é uma espécie que se reproduz em águas salobras, mas pode ser reproduzida em cativeiro com relativa facilidade. A contrário do Neritina zebra, possui o que se chama de desenvolvimento encapsulado não-planctônico, ou metamorfose intracapsular, todo o crescimento da larva se dá no interior da cápsula de ovos, havendo eclosão de um juvenil bentônico, miniatura dos pais, sem uma fase planctônica de vida livre. É uma absoluta exceção dentro da subfamília Neritininae, alguns autores inclusive usam exatamente esta característica (reprodução) para dividir os Neritidae entre os membros das duas subfamílias Neritininae e Theodoxinae.  

            Assim como outros Neritídeos, a Neritina virginea é uma espécie dióica, que não elimina seus gametas na água, a fecundação sendo interna. O macho possui um complexo peniano como nas Ampulárias. Durante a cópula, o macho fica sobre a fêmea e posiciona-se do lado direito desta, inserindo seu pênis em baixo da borda do manto da fêmea, transferindo o espermatóforo. Após a fecundação, a fêmea deposita os minúsculos ovos agrupados no interior de uma cápsula rígida, aderidas em qualquer substrato disponível tal como madeira, conchas de moluscos, rochas, mas principalmente em folhas caídas de Rhizophora mangle. Elas são brancas assim que depositadas e vão se tornando amareladas conforme o desenvolvimento ocorre, são circulares e medem cerca de 1 mm de diâmetro. As fêmeas depositam várias cápsulas por vez, cada uma delas contendo cerca de 45 ovos. Quando em aquários, utilizam troncos, rochas, plantas de folhas mais resistentes e até mesmo o vidro para depositar suas cápsulas de ovos, muitos brincam que o aquário "está com ictio" quando essas desovas ocorrem.

            Todo o desenvolvimento das larvas ocorre no interior das cápsulas rígidas (tanto a fase de trocofore quanto veliger), onde os embriões e depois as larvas ficam imersos em um fluido (líquido albuminoso ou albúmen), isolados do meio externo. É uma adaptação à água doce, um processo semelhante à “Reprodução especializada” dos crustáceos. Após cerca de 12 dias as cápsulas se abrem, liberando "mini-caramujos" miniaturas dos pais, totalmente formados.

            Os espécimes acima de 5 mm de tamanho já são considerados adultos e a partir dos 8 meses de vida, aproximadamente 6 mm, a fêmea já começa a desovar. Na natureza o período de desova ocorre durante as secas, o que corresponde de Julho a Dezembro no Brasil, desovas em época de chuvas também ocorrem, porém, com uma frequência muito menor. Tem um período reprodutivo inverso ao do Neritina zebra.




Cápsula de ovos de Neritina virginea com embriões no seu interior, fotografado em dois momentos do seu desenvolvimento. Fotos de Augusto Luiz Ferreira Junior.


Habitat: Na natureza, estes caramujos são encontrados em estuários e manguezais, onde há ampla variação de salinidade. Como vimos, alguns hábitos reprodutivos estão relacionados e estas variações, funcionando como gatilhos reprodutivos. Ocorrem em ambientes de variadas salinidades, de 0%o (água doce) a 49%o (acima da salinidade do mar), distribuindo-se ao longo destas salinidades de forma relativamente homogênea. Podem ser coletados nos rios muitos quilômetros continente adentro (registros a mais de 10km em Porto Rico). Desta forma, são animais realmente eurihalinos, vivendo bem em uma ampla gama de salinidades. Algumas fontes (de populações do México) citam que são um pouco mais frequentes numa salinidade próxima de 2~3%o. Experimentos em laboratório mostram que o gasto energético dos animais é mais baixo numa salinidade de cerca de 20%o, e são mais ativos nesta faixa de salinidade.

              Preferem locais rasos, abrigados das ondas, são mais numerosos entre 20 e 30 cm de profundidade, em locais de substrato macio e inconsolidado. Frequentemente ficam emersos durante a maré baixa, procurando abrigo junto a troncos e rochas. Costumam escalar troncos e raízes aéreas (pneumatóforos) de árvores do mangue. São gregários, formando grandes aglomerações, podendo ultrapassando 12.000 indivíduos/m2.

            Alimenta-se de material vegetal em decomposição, com um importante papel na reciclagem de nutrientes. Possui hábitos noturnos. Por viver em locais com ampla variação nos parâmetros físicos, é uma espécie resistente, tolerando amplos valores de oxigênio dissolvido. A tolerância a temperaturas variadas também é grande, sendo encontrado em locais onde atinge 35oC.

                Existem registros de migrações em massa destes gastrópodes correnteza acima, por exemplo, em Porto Rico (500 a 3000 indivíduos/m2), mais frequente em períodos chuvosos, e principalmente de indivíduos menores. O motivo destas migrações não é claro.

         










Neritina virginea em seu ambiente natural, animais fotografados em Muro Alto, Ipojuca (PE). Fotos de Walther Ishikawa.

 

Manutenção em aquários: É uma das pouquíssimas espécies de animais ornamentais de aquário que pode ser criado indiferentemente em tanques de água doce, salobra ou salgada. São mais comumente vendidas como animais para aquários marinhos, mas podem ser lentamente adaptadas a menores salinidades. A adaptação precisa ser lenta, por serem sensíveis a choques osmóticos. Se a variação for muito rápida, retraem-se nas conchas, podendo até morrer.   

          São bastante robustos, adapta-se a condições físicas variáveis nos aquários, mas sugere-se a manutenção em águas duras e alcalinas, para prevenir erosões na sua concha. Mesmo na natureza, animais coletados em locais de menor pH (<6,5) mostram sinais mais evidentes de corrosão. A longevidade média em aquários é de cerca de um ano, mas existem registros de animais com mais de 5 anos em aquários públicos alemães.
















Neritina meleagris sendo adaptado à água doce. Na última foto, já em um aquário de água doce, junto a filhotes de Pomacea diffusa. Fotos de Walther Ishikawa.



Neritina meleagris adaptado à água doce. Fotos de João Pedro Pereira das Chagas.



Outras Informações: Por ser uma espécie comum e colorida, esta espécie é bastante coletada nos estados do Norte e Nordeste do Brasil, usada como material para artesanato e bijuterias. Existem diversas variedades de padrões de conchas, desde as mais amareladas até as vermelhas bem escuras, seguem alguns exemplos:
















Neritina virginea, note os contornos das marcas na concha somente na cor preta. Fotos de Cinthia Emerich.






Colar de conchas de Neritina cf. virginea comprada em Cuba. Foto de Chantal Wagner Kornin.










Cinthia Emerich e Walther Ishikawa

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Agradecemos ao colega oceanógrafo Augusto Luiz Ferreira Junior e ao aquarista João Pedro Pereira das Chagas pela cessão das fotos para o artigo, e valiosas informações. Sugerimos aos leitores também uma visita ao portal Neritopsine Gastropods, com muitas imagens e informações interessantes destes moluscos. O site pode ser visto  aqui .


As fotografias de Cinthia Emerich, Walther Ishikawa, e Chantal Wagner Kornin e do portal Neritopsine Gastropods (veja link acima) estão licenciados sob uma  Licença Creative Commons . As demais fotos têm seu "copyright" pertencendo aos respectivos autores.
 
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